Brincar pela criança vs Estar presente com a criança que brinca

Esse texto já foi lido19143 vezes!

Cheguei na Praça do Côco com meus filhos Luna (3 anos e 9 meses) e Leo (1 ano e 7 meses) na 3a feira por volta das dez da manhã. Não, eu não estava de férias. Minha esposa faz uma aula de dança das 10 as 11:30 toda terça feira e eu fico com as crianças. Ser consultor independente ajuda bastante a ter horários flexíveis e poder fazer esse tipo de coisa. Regiane é mãe em tempo integral, portanto é importante que ela tenha alguns momentos só pra ela e é o mínimo que eu posso fazer.

Bom, a Praça do Côco é um dos meus destinos favoritos. É uma praça pública com alguns brinquedos de madeira, com muita areia e com acesso a água. Vamos tanto lá que já deixamos no porta-mala do carro alguns utensílios indispensáveis para garantir a diversão. Entre os mais importantes, está uma bacia que uso para encher de água e colocar ao lado de onde as crianças decidiram brincar. Além da bacia, levamos um bule de verdade, um coador de café de verdade, potes de manteiga, colheres, pás, peneiras, copos e talheres.

As crianças ficam livres para decidir o que querem fazer. Dessa vez, após balançar um pouco, Luna foi brincar na areia. Leo preferiu ficar brincando em uma casa de madeira. Apesar dele já subir e descer sozinho da casinha, eu fico por perto apenas para oferecer apoio caso ele precise.

O fato que quero explorar hoje aconteceu quando Luna estava brincando de fazer comida com a lama criada a partir da areia e da água. Ela estava tranquila quando uma mãe chegou com seu filho de um ano e meio. Ela falava muito e dirigia cada ação do menino. “Gustavo, senta aqui, pega o baldinho, vamos fazer um bolinho.” Ela estava sentada há 2 metros de onde estávamos e começou ela mesma a fazer “bolinhos” com a areia. “Olha só o bolo em forma de golfinho. Vamos comer.” O filho ficou olhando a mãe fazer esse teatro, que confesso, eu também fazia antes de conhecer a Educação Ativa. Luna, que estava entretida há pelo menos 20 minutos, parou o que estava fazendo para ver o que estava acontecendo. Mesmo que as instruções não estavam sendo dirigidas a ela, aquilo quebrou seu fluxo de criação por alguns segundos.

O contato com a Educação Ativa, através da Margarita Valencia, educadora equatoriana que trabalhou por mais de dez anos na não-escola El Pesta no Equador, mudou minha vida. Eu achava que era um pai bem legal, especialmente pelo fato de trabalhar parte do tempo em casa e poder me dedicar aos meus filhos. Achava que não bater e não colocar de castigo já me garantiam o título de pai “diferenciado”. Que engano.

A Educação Ativa foi concebida no Equador pelo casal Rebecca e Mauricio Wild na medida em que criaram El Pesta, um jardim da infância diferente, no qual haviam ambientes preparados que as crianças poderiam utilizar livremente de acordo como sua vontade. Esses ambientes eram chamados preparados pois não continham perigos ativos e pois continham elementos adequados para atender as necessidades das crianças nessa faixa etária entre 3 e 6 anos. Sempre havia um adulto em cada ambiente zelando para que o espaço permitisse que as crianças estivessem relaxadas. Para isso, o próprio adulto deveria estar relaxado, presente ao que estava se passando em cada momento e principalmente sem diretividade. Ou seja, o adulto, diferente das escolas tradicionais não estava lá para dirigir as atividades das crianças, mas sim para apoiar a exploração livre e criativa do espaço.

Uma das coisas mais difíceis quando se embarca nessa jornada é o fato de nunca mais conseguir olhar para a relação de adultos e crianças da mesma maneira. Tive vontade de pedir para a mãe do Gustavo falar mais baixo ou não falar e deixar que seu filho, ao invés de ser um expectador das macaquices da mãe, fosse um ator e pudesse, de forma relaxada, brincar. Fiz uma pausa, respirei e tentei sentir o que estava acontecendo comigo. Era meu crítico interno que tinha aflorado e queria exigir que aquela mulher se comportasse para não prejudicar meu filho. Agir a partir desse lugar seria um engano. Não estaria servindo a vida e estaria reproduzindo o nosso atual modelo de julgamento (“Você está errada e eu certo!” e de individualismo (“Não prejudique os meus filhos!”). Decidi apenas observar o que estava acontecendo, ficando o mais conectado com o presente possível. A mãe continuou sua brincadeira. Luna voltou para o seu mundo pois acredito que agora ela já consegue sentir que é muito melhor ser criadora do que ser observadora de adultos.

E eu agora, no momento que estou escrevendo esse texto, sinto que é a hora certa para falar para a mãe do Gustavo e para outros pais e mães. Experimente levar seus filhos em ambientes preparados, e apenas observe. Ofereça sua presença e seu amor incondicional, mas não dirija a ação dos seus filhos. Relaxe e observe. Pode ser que eles demandem que você brinque com eles pois não estão acostumados a explorar sozinhos. Dê atenção, mas espere que eles dirijam a brincadeira. Não imponha o seu mundo de fantasias em cima deles.

Quando eu comecei a fazer isso, minha experiência de estar com meus filhos mudou. Eu passei a ficar 100% presente sem ter que ficar inventando brincadeiras para eles, sem ter que ficar incentivando a brincar nesse ou naquele brinquedo. Hoje, levá-los à Praça do Côco é um imenso prazer, pra mim e para eles.

58 respostas
  1. Tati
    Tati says:

    Oi Marcelo,

    Parabéns pelo texto, mas especialmente parabéns pela suas reflexões sobre a educação de seus filhos. É isso que faz diferença. Não tenho dúvidas de que a mãe do Gustavo deve amar tanto seu filho e que tudo o que faz é com certeza acreditando que assim o ajuda a se desenvolver. No entanto, simplesmente não parou para refletir sobre o assunto. Mas como você mesmo disse, de nada adiantaria julga-la de acordo com o nosso ponto de vista e começar a apontar seus erros (se é que podemos chamar de erros). Seja o exemplo, talvez nesse mesmo dia ela mesma tenha reparado o quanto seus filhos se divertiam mesmo sem você dirigir a brincadeira… Quem sabe na próxima visita a praça ela já fique mais relaxada? Ou não! Mas tudo a seu tempo, não é?

    Estou grávida de 7 meses do meu primeiro filho. Sou pedagoga mas tenho certeza de que “errarei” muito só longo da vida do meu filho. Mas acho que o importante é sempre refletir sobre cada ato educativo e poder observar bons exemplos de ações como as suas.

    Em tempo, onde fica a praça do cocô?

    Beijos

    Responder
  2. Andreia
    Andreia says:

    Olá Marcelo, acabei de ler o seu texto e achei sensacional. Sempre me recordo de quando eu era criança, caçula temporona de 3 irmãos mais velhos, eu brincava e muito, criava, sem que minha mãe interferisse. Minha mãe era também mãe em tempo integral e sempre estava ali disponivel, fui uma criança saudavel e feliz. Hoje, muitas vezes me deparo sendo “obrigada” a brincar com meus sobrinhos, pois isso é um habito que os pais deles criaram neles. Oras, mas se eu fui uma criança que brincava muito, sem interferências de adultos, o que mudou de lá para cá, que nos obriga a fazer as coisas pelas crianças. Ainda não sou mãe e seu texto me chamou muito atenção, sendo um divisor de águas, pq eu me sentia culpada cada vez que eu não queria brincar com as crianças da minha familia. Queria apenas estar presente no mundo deles estando disponível. Vejo que meu raciocínio estava certo, bem como o da minha mãe trinta e poucos anos atrás, mesmo sem saber muito bem. Acho que este comportamento dos pais hoje em dia, seja para suprir alguma ausência, mas nunca seremos um “amiguinho” para as crianças, nem substituiremos os que eles vierem a conhecer.

    Responder
  3. Cristina Fernandes
    Cristina Fernandes says:

    Sabe que a leitura do seu texto me fez parar e descobrir que sou assim…. Fico fazendo e mostrando o que meu filho tem que fazer…. Fiquei chateada comigo mesma mas acho que nunca é tarde pra mudar….

    Responder
  4. Danilo Rodil
    Danilo Rodil says:

    Marcelo, Adorei seu texto!! Fantástico e muito bem escrito. Vou ser bem sincero que faço como a mãe do Marcelo, mas ao mesmo tempo me incomodo pois como sempre fiz, por achar que estava fazendo o certo ao ficar com meu filho, hoje ele demanda muito minha atenção e nunca soube como mudar nem mesmo havia lido sobre educação ativa. Vou me aprofundar mais sobre o tema e tentar mudar minhas atitudes. Abs!

    Responder
  5. dea
    dea says:

    Olá MArcelo! Quando comecei a ler seus textos me senti a pior mãe do mundo. Nossa, como eu faço tudo errado?! Me culpei. Pela minha falta de sensibilidade e por todas as vezes que fui impaciente e incapaz de perceber as necessidades da minha filha, hoje com 3 anos e 9 meses e numa fase de muitas “birras”. Mas, depois de virar a madrugada lendo quase todo o seu blog, sinto gratidão. Obrigada por ser tão generoso em compartilhar suas ricas experiências e me revelar novas possibilidades de ser uma mãe melhor. Um pedido: não consegui assistir a nenhum dos vídeos, pode me passar os links? Abraços em você e em toda a sua família.

    Responder
  6. Magda Almeida
    Magda Almeida says:

    Adorei!
    Fazia isso instintivamente… nem sabia que tinha nome…
    Aprendi na verdade na marra, quando fomos a Berlim e diziam que “podávamos” muito as ações da nossa filha. Enquanto que lá a maioria dos pais observa e interage quando há demanda da criança.

    Vimos o quanto ela progrediu quando demos autonomia protegida.

    Coincidentemente, mudamos para Barão Geraldo há pouco e temos cada vez mais feito isso por aqui.

    Parabéns por compartilhar suas vivências com outros pais, vamos assim nos sentindo menos sozinhos em um mundo que prioriza e demanda outros valores.

    Responder
  7. Flávia
    Flávia says:

    Engraçado, aqui em casa é meio diferente. Sempre quis e deixei meus filhos à vontade pra brincarem do que quisessem, mas minha filha mais velha não aceitava, sempre queria que eu brincasse junto, nunca gostou de brincar sozinha. Eu nem um pouco afim, tinha que ficar brincando, rsrs. Na verdade me incomodava ela não ter criatividade, não inventar suas próprias brincadeiras como eu fazia na minha infância. Enfim, cada criança é de um jeito né?…

    Responder
    • Marcelo Michelsohn
      Marcelo Michelsohn says:

      Oi Flavia, aqui em casa é igual. Minha filha mais velha sempre pede para brincarmos juntos, enquanto o mais novo é muito mais independente neste sentido. É claro que cada criança é de um jeito, mas percebo claramente que tratamos os dois de maneira diferente. Em primeiro lugar, só pelo fato da Luna ter nascido primeiro ela tinha nossa atenção quase ilimitada, enquanto o Leo teve que aprender a se virar mais sozinho desde o começo pois dividíamos nossa atenção entre ele e Luna. Fora isso, como a Luna foi primeira filha e primeira neta dos dois lados, ela nunca estava sozinha!!! Sempre tinha alguém em cima dela, estimulando, dirigindo a brincadeira. Acho que isso influenciou muito. De qualquer forma, o que faço hoje quando a Luna pede para brincar, eu brinco mas espero ela dirigir a brincadeira. Por exemplo, quando ela fala “Vamos brincar de príncipe e princesa.” eu falo “Tá legal, o que eu faço?” e aí ela inventa: “Você vem aqui, me dá a mão e nós vamos passear”, então deixo ela me levar. Obrigado pela oportunidade de reflexão. Abraços.

      Responder
  8. Mônica
    Mônica says:

    Òtima reflexão. Como outros leitores comentaram acima, eu estou há algum tempo atenta a isso e não sabia que tinha nome. Não é mole não dirigir os filhos, exige um esforço enorme. E também não é fácil enfrentar a enorme corrente contrária, que vem de todo lado. O avô do meu filho, na melhor da intenções, manda nele o tempo inteiro, nem precisa ser na brincadeira: “faz isso pra fulano ver”, “mostra como é isso”, “o que o vovô te ensinou?”… Digo sempre que me incomoda ele adestrar meu filho, e soa mal, mas é isso que ele faz. Sei que é pura insegurança. E é a tendência de (quase) todo mundo. A gente faz isso por insegurança, por falta de saber o que fazer com aquele mundo de possibilidades que é uma criança. Eu mesma já me vi vítima desta insegurança mil vezes e já observei em muita gente também. Eu vou tentando, mas não é fácil…

    Responder
    • Marcelo Michelsohn
      Marcelo Michelsohn says:

      Oi Mônica. Obrigado pelo comentário. Super pertinente. Também vivo isso com meus pais e meus sogros. Me acalmei quando uma pessoa me mostrou que meus filhos passam 90% do tempo conosco e apenas 10% do tempo com outras pessoas e portanto nós somos o modelo mais presente. Aí relaxei. Quando estou com meus pais e sogros, relaxo e deixo rolar, a não ser que perceba que algo está incomodando meus filhos. Aí eu interfiro, não importa quem esteja por perto! Abraços.

      Responder
  9. leslymonrat
    leslymonrat says:

    Olá Marcelo, muito bom este post. Coisas muitas sérias foras colocadas por você e nos comentários seguintes. Eu sou uma mãe que estimula muito o filho, e de forma consciente, mas sempre respeitando seus momentos de exploração e descoberta. Normalmente proponho brincadeiras (como também estou aberta e presente às propostas dele), mas esses momentos direcionados são para dar oportunidades de vivências. Quando você coloca um balde com água e um coador de café automaticamente você está instrumentalizando o brincar, entretanto é a criança que verá esses instrumentos com um olhar único, dando novos significados a esses objetos sistematizados por nós, e esse ponto que faz toda a diferença. Respeitar é a palavra. Por tudo isso só tenho uma coisa a dizer: Parabéns! Também moro em Floripa, e será muito legal trocar mais figurinhas! Tenho um blog que fiz depois que meu baby nasceu, te convido para conhece-lo, fala somente de brincadeiras. Abraços e até mais.

    Lesly Monrat

    http://www.porquenaomamae.com

    Responder
    • Marcelo Michelsohn
      Marcelo Michelsohn says:

      Oi Lesly, já visitei o seu site e gostei bastante. Concordo com você sobre instrumentalizar o brincar. Isso é o que a Educação Ativa chama de ambiente preparado e seguro. Preparado para atender as necessidades das crianças. Vamos conversar mais sobre isso. Vou escrever um email para marcarmos. Abraços!

      Responder
  10. Thaty
    Thaty says:

    Aconselho a quem quiser conhecer um pouco do que é uma escola waldorf a ler: Filhos felizes na escola. É uma mãe que descreve ano a ano como as crianças aprendem nesta pedagogia. Se vc estudou numa escola tradicional como eu vai pensar: Caramba! Se eu tivesse aprendido assim não teria esquecido até hj!!! Rsrsrsrs!!!
    Este foi o livro que foi mais tranquilo de ler. Existem muitos outros – Pedagogia Waldorf do Rudolf Steiner… Mas a leitura de Filhos felizes é mais tranqüila para o leigo em Antroposofia… Como eu!

    Responder
  11. Thaty
    Thaty says:

    Marcelo, não encontrei nenhuma menção no blog sobre a semelhança da Educação Ativa e da Pedagogia Waldorf no que se referem ao brincar livre da criança… é que encontrei hj seu blog e tendo minha filha num jardim waldof, percebo semelhanças… Gostaria de ler mais a respeito da Educação Ativa…

    Responder
  12. Daniela Stucchi
    Daniela Stucchi says:

    Oi Má, adorei esse post, já tinha lido mais de uma vez, e agora que estou na busca por um berçário para o Antonio, me lembrei dele novamente e voltei a ler… uma dúvida, esse conceito de educação ativa pode ser aplicado a bebes, ou seria um exagero? Toda vez que vou visitar um berçário me incomoda muito ver as “tias” o tempo todo em cima dos bebes, claro, sempre muito carinhosas e bem intencionadas, afinal a qualidade do trabalho delas provavelmente é avaliada por essa atenção dada aos bebes, mas sempre me parece excessivo, mesmo que seja um bebe que ainda não ande, não engatinhe, não vire, não faça nada, mas que fica ali deitadinho no mundo dele “brincando” (muitas vezes só olhando) com o que ele escolheu brincar (um brinquedo, a mão, uma parede colorida etc.)… o Antonio está com quase 4 meses e já deixo ele por longos períodos bem a vontade em um tapete amplo cheio de coisinhas diferentes, ele já se entretem sozinho por longos períodos (e até já aprendeu a virar para conseguir alcançar algo que ele queira pegar), e eu acho isso bom, embora a tentação para intervir (por exemplo, quando ele está tentando virar e não consegue) e brincar seja grande, mas no meu caso é mais fácil isso não acontecer, pois optei por não ter nenhuma ajuda em casa nesse meu período de licença maternidade, então sempre há muito o que se fazer, rs! Enfim, divagações a parte, minha pergunta é, faz sentido imaginar que mesmo um bebe de poucos meses já se beneficia da não-diretividade?
    Bjs e parabéns pelo blog, Dani Stucchi

    Responder
    • Marcelo Michelsohn
      Marcelo Michelsohn says:

      Oi Dani! Eu acho que vale para os bebês também. Eu lembro de ver a Margarita Valência, que trouxe a educação ativa para o Brasil simplesmente observando os bebês e falando para as mães deixarem eles no chão (e não no sling ou no colo) para que eles explorassem o ambiente preparado (seguro e estimulante) da maneira que quisessem. Acredito que você vai ter dificuldades em achar um berçário assim, porém talvez você possa conversar com as cuidadoras, tendo o cuidado de explicar que não-diretividade é muito diferente de abandono! É um estar junto, atento, carinhoso, sem estar em cima. Bjs e obrigado pela pergunta!

      Responder
  13. Raquel
    Raquel says:

    Que saudades de vc Marcelo, e da Re. revi Margarita esses dias na Patricia, eu, ela, patricia e Esperança. sempre é forte. Acabei também de assistir o video do guto. Hj imersa, Rogerio e Rebeca estão em Gonçalves.
    às vezes parece que quem conheceu a Margarita se sente iniciado, me incluo aí, mas existem tantos caminhos e pontos de vista. claro que seu exemplo é muito contrastante. tenho gostado de olhar por aí, e na abertura tenho descoberto surpresas. bjs Raquel

    Responder
    • Marcelo Michelsohn
      Marcelo Michelsohn says:

      Oi Raquel! Saudades também. Que bom que você pode estar com Margarita. Estamos morando em Floripa e ainda não temos um grupo como o que tínhamos em são paulo. Vamos ter que criar aqui! Que video do guto é esse? Sim, muitos caminhos e pontos de vista. O meu é apenas mais um. Uma oferta, uma tentativa. Obrigado pelo comentário. Mande históiras de Rebeca, quando quiser! bjs Marcelo

      Responder
  14. Carol Gomes
    Carol Gomes says:

    Oi Marcelo, muito prazer conheci seu blog devido a esse post! Bem é um post para refletir mesmo, pois como pedagoga e simpatizante do método montessori, me pego muitas vezes nessa dualidade de intervir ou não. Propor novos desafios, etc… Como mãe de uma linda bebê de 1 ano e 3 meses sempre achamos que não estamos fazendo o suficiente! Aff!

    Responder
    • Marcelo Michelsohn
      Marcelo Michelsohn says:

      Oi Carol! Entendo perfeitamente seu dilema. Acho que uma das formas de aliviar isso é preparar ambientes que estimulem a criança. O fato de preparar um cantinho com fantasias e deixar à disposição da criança para ela brincar quando quiser, pode ser suficiente. Aqui em casa, temos um canto com livros, outro com instrumentos, massinha, baldes de água. As crianças conhecem os ambientes e estão livres para decidir o que querem fazer. Abraços!

      Responder
  15. estela
    estela says:

    adorei seu post, Marcelo. Não conhecia a Educação Ativa (só de nome), mas ando lendo muito sobre RIE, através do blog da Janet Lansbury (janetlansbury,com) e os princípios de observação e não interferência são bem parecidos. E também mudou muito meu modo de lidar com as meninas. Parabéns pelo texto!

    Responder
    • Marcelo Michelsohn
      Marcelo Michelsohn says:

      Oi Estela! Obrigado pelo carinho e pela indicação da Janet Lansbury. Com certeza vou procurar saber mais. Fique à vontade para escrever aqui ou me mandar emails com suas histórias e reflexões sobre a essa arte de conviver com filhos. Abração!

      Responder
  16. Leticia Bastos
    Leticia Bastos says:

    Marcelo, não sei se se lembra, mas estudamos juntos em Campinas. Seu blog está perfeito e esse post em especial muito lindo. Parabéns pelo trabalho e pelos lindos filhotes. Sucesso para vc!

    Responder
  17. priscilasegal@hotmail.com
    priscilasegal@hotmail.com says:

    Marcelo, que maravilha de texto!! Queria dividir com todos um livro que estou lendo e trata também desse tema entre outros. ” Crianças francesas não fazem manha”. Também de uma mãe, no caso americana, que tem seus filhos em Paris e relata as percepções na forma de criar as crianças tão diferente nas duas culturas. A principio pelo título e também pela apresentação de marketing parece de auto ajuda, mas não é. Vale muito a pena e está conectado com o seu estilo bem subversor( no bom sentido) de ser pai nos dias de hoje. Mais uma vez parabéns pelo blog, estarei acompanhando! Beijos, Pri

    Responder
  18. clarissa
    clarissa says:

    Oi Marcelo, que bacana seu blog! Soube dele hoje pela Marina. Gostei muito desse post pois, como vc, depois de conhecer a Margarita e a educaçao ativa passei a julgar outros pais. Foi muito bom ler sua reflexão sobre isso, no ponto em que julgar apenas reproduz o paradigma que queremos mudar. Obrigada por compartilhar. beijo grande na família. Clarissa

    Responder
  19. Ligia
    Ligia says:

    Muito legal seu post. Muito cuidadoso para com as pessoas que tentam fazer o melhor com seus filhos. Até me surgiram questões do tipo: A Escola Ativa El Pesta é de 3 a 6 anos.; será que existe uma diferença etária aí no brincar de crianças mais novinhas que ainda não simbolizam totalmente na ausência do outro? Ou talvez uma diferença nas crianças sem irmãos tão perto em idades? Como vc disse já ter feito diferente antes teria sido um suporte inicial introdutório no mundo (Winnicott)? Não teria sido uma apresentação necessária? Claro que não a conduta da moça no jardim. Mas um primeiro estímulo “ensinar a brincar”durante um primeiro período de tempo…
    Já num segundo momento acho perfeito deixar a criança livre num ambiente preparado para deixá-la exercer livremente sua criatividade , oferecendo-se como mais um objeto da brincadeira. Percebo isso com meu neto e na interação de minha filha com ele, que tem tres anos e sete meses. Ele inclui ou não o adulto em suas brincadeiras quando deseja.
    Parabens por ser o pai que é: sempre sensível, e super dedicado à seus filhos.
    Um beijo enorme.

    Responder
    • Marcelo Michelsohn
      Marcelo Michelsohn says:

      Oi Ligia, obrigado pelas reflexões. O El Pesta funcionava para crianças de 3 a 16 anos e sim, cada fase é diferente. Quando eu estava na faculdade fiz uma pesquisa sobre o brincar de faz de conta e acredito que é necessário um outro (adulto ou criança mais velha) que ofereça a ferramenta da linguagem (Vygotsky) para “ensinar” o brincar mais simbólico. Mas, minha experiência pessoal com meus filhos me mostrou que o Leo brinca muito mais tranquilo e com mais autonomia do que a Luna que sofreu um ataque de todos os lados desde pequena para simbolizar. Ficamos encantados que ela começou a falar cedo e a partir daí ela não teve mais sossego para explorar sua fase sensório-motriz-afetiva em paz. Há um ano mudamos a abordagem com ela também e notamos uma diferença grande, uma maior tranquilidade e independência. Em breve vou postar mais histórias que ilustrem isso. Beijão!

      Responder
      • Camila Scramim Rigo
        Camila Scramim Rigo says:

        Oi, Marcelo!
        Já ia comentar de qualquer maneira ao final da leitura dos demais, mas com essa sua referência à Luna ter aprendido a falar cedo e ser massacrada pelo “aprenda mais isso, aprenda mais aquilo” eu vi muito a Paola e o que ela está vivendo, especialmente nesse momento entre apartamentos, em que estamos morando com a minha mãe… daí escrever se tornou inadiável!
        Na verdade, olho com alguma admiração e alguma dúvida para os seus posts… eu naturalmente sou mais do tipo que está presente, deixa brincar e observa, mas fico com uma certa inveja de ver a Paola brincando com pessoas mais “animadas”. Ela ri mais, interage mais, fala mais alto, parece estar se divertindo muito mais do que quando está brincando em ambiente relaxado. Agradeceria se você comentasse um pouco sobre isso, para ajudar nas reflexões.
        A forma como tenho lidado com essas questões é pensar que talvez seja bom para a Paola aprender a lidar com os diferentes estilos de pessoas. Assim, sigo com o meu e não impeço as demais pessoas de seguirem com o delas. Também gostaria de saber o que você pensa disso.
        E, por fim, estava pensando em como são legais os blogs: as pessoas escrever sobre o que consideram importante e quem tem afinidade tem a oportunidade deter conversas super significativas assim: distantes no tempo e no espaço. Que privilégio poder ter acesso a seus pensamentos e suas experiências, interagir com eles!
        Vamos reavivar a idéia do AoH Pais e Filhos?
        Um grande abraço,
        Camila.

        Responder
  20. Laura
    Laura says:

    Essa mãe bem podia ser eu!!!! (se bobear até era!!! rsrsrsrsrs) Tarefa dificílima pra mim essa de “calar a boca” (!!!!!) e não massacrar meu filho com um monte de informações. Tenho tentado em um exercício diário acompanhar mais os movimentos do meu filho e não lhe mostrar a direção que eu julgo mais pertinente…mas acho que com o tempo vou melhorando!!!!!!!!!!!!!!

    Responder
    • Marcelo Michelsohn
      Marcelo Michelsohn says:

      Querida Laura, em primeiro lugar vamos tratar de abandonar o chicotinho. Não adianta nada ficarmos nos martirizando. E é claro que essa mãe não era você! A ideia é essa mesma: experimentar no dia a dia, refletir, transformar. Se quiser, me mande um email com alguma história sua com o filhote!

      Responder
      • Laura Gonçalves
        Laura Gonçalves says:

        rsrsrsrsrssrrs Marcelo, ontem encontrei uma amiga na Frutaria e a primeira coisa de que falamos foi desse post. Eu já sai dizendo: “Você viu o post do Marcelo, que incrível! Tenho certeza que era eu, lembro até o dia…rsrsrsrs” E minha amiga: “Não, era eu!!!” rsrsrsrsrsrsrrs As loucas!!! Rimos muito. E o mais legal de tudo é que seu post produziu algo de muito valioso: INTERVENÇÃO! Eu já sabia do que vc escreveu, vc mesmo já havia de me dito…mas tem coisas que só fazem sentido na hora certa e pra mim produziu MUITO SENTIDO! Muita reflexão! Acho que o fato de estar com um bebê pequeno em casa novamente tem me permitido (por incrível que pareça) TEMPO PRA PENSAR NA MATERNIDADE, no que tenho feito e COMO. No que quero pros meus filhos e no que isso depende ou não de mim. Faço todos os dias o exercício de abandonar o chicotinho, porque, por mais que eu pense, reflita, mude e tudo o mais, sempre vou ter falhas, não tem jeito. Mas só o fato de estar buscando pensar, questionar o que faço e como sou e estar aberta para mudar, eu já acho que faz de mim uma baita mãe! rsrsrsrs
        Sou sua fã confessa!
        Obrigada amigo!

        Responder
        • Marcelo Michelsohn
          Marcelo Michelsohn says:

          Consegui enxergar a cena das duas na Frutaria! Ótimo! Fiquei emocionado com esse seu comentário: me faz acreditar mais no meu propósito de me lançar de corpo e alma na relação com meus filhos e compartilhar isso com o máximo de pessoas.
          Eu e Regiane conseguimos tempo para pensar nas crianças e fazer os cursos lá em sampa quando Luna tinha 3 e Leo 1. Tem uma parte dessa história de ter ou não ter tempo que é bem subjetiva, né? Eu falo muito do chicotinho, pois ainda uso frequentemente e por isso consigo observar bem nos outros. Não é cobrança não, tá? É só uma sugestão de atenção. Obrigado pelo carinho e pelo apoio. Beijão!

          Responder
  21. Regiane
    Regiane says:

    É um presente essa sua presença de corpo e alma na vida dos nossos filhos e especialmente na minha! Que sorte a nossa! Tá lindo esse blog! Te admiro e te amo muito!

    Responder
  22. Denise Berman
    Denise Berman says:

    Marcelo, que legal!
    Nós psicanalistas sabemos que brincar é coisa séria!
    Os pequenos quando brincam estão construindo sua subjetividade, teorizando sobre a realidade que os cerca.
    É generoso por parte do adulto, e aí, falo como avó, emprestar-se à brincadeira ou só ser testemunha, quando estamos loucos para agarra-los ou para transmitir- lhes tantas coisas que são do nosso desejo.
    É nitido para quem sabe ver que se o adulto ocupa a cena demais a criança se desinteressa.
    Então fica a dica: – Se voce quer brincar com os pequenos deixe que eles dirijam a cena!
    Muito bom Marcelo! Gostei dos comentarios do pai atento!
    Beijos

    Responder
  23. Denise Berman
    Denise Berman says:

    Marcelo,
    Os psicanalistas sabem que brincar é coisa séria.
    É um momento de construção daquele que brinca. Construção de sua subjetividade.
    Gostei muito do seu texto porque ele aponta a generosidade do adulto que deixa a criança exercer esta atividade à vontade, às vezes até se emprestando como objeto da brincadeira.
    Se emprestando , mas não dirigindo. Em geral percebemos que quando o adulto quer dirigir demais a brincadeira,a criança se desinteressa porque aí, como voce apontou, a fantasia do adulto é que está em cena…
    Muito bom Marcelo, belo testemunho de um pai atento!
    Beijos

    Responder
    • Marcelo Michelsohn
      Marcelo Michelsohn says:

      Super obrigado Denise! Gostei muito do olhar que você trouxe. É impressionante ver como os adultos que não puderam brincar em paz quando crianças, não conseguem deixar a criança brincar sem interferência. Confesso que para mim, também não foi natural estar apenas presente. Mas ao experimentar, descobri uma forma nova de estar com meus filhos e agora quero compartilhar isso. Fique à vontade para compartilhar o blog com pessoas que vão se beneficiar dessa conversa. Beijo com carinho.

      Responder
  24. Ana Aragão
    Ana Aragão says:

    Marcelo!
    que prazer ler seu texto tão bem escrito e me lembrar que vc sempre foi sempre tão especial e, agora, não poderia deixar de ser, não é?
    Me escreva para a gente se encontrar! quero conhecer seu filhos! Venha tb ver a Bia!
    bjs
    Ana Aragão

    Responder
    • Marcelo Michelsohn
      Marcelo Michelsohn says:

      Oi Ana!! Que gostosa essa re-conexão. Sempre lembro das suas aulas, cheias de exemplos da Bia! Estamos morando em Floripa, mas quando passarmos por Campinas, marcaremos um encontro. E se quiser passar uns dias aqui, a casa está à disposição. Traga a Bia. Se lembrar de histórias dela quando criança, escreva. Beijo grande.

      Responder
  25. Mariana
    Mariana says:

    Marcelo, adorei seu post! Nunca tinha ouvido falar de educação ativa, mas sempre me irritei com o excesso de interferência dos adultos nas brincadeiras das crianças. As vezes eu penso “cara, será que esses pais não brincaram o bastante na infância deles?”. Outras vezes eu me pergunto”por que será que eles querem estimular e direcionar tanto a brincadeira da criança? será que eles acham que isso é bom?”. Eu sinceramente não sei se existe “bom” ou “ruim” nessa história, eu só acho que é um saco você querer fazer alguma coisa e ter alguém do seu lado dizendo como fazer isso. Não é muito chato quando fazem isso com a gente? Se é chato pra você pra criança também deve ser. É com esse tipo de raciocínio um tanto simples que eu tenho procurado agir com meus filhos. Bom saber que é uma ideia compartilhada com pessoas legais como você :)
    Beijos e sucesso no novo blog.
    Mari Menezes

    Responder
    • Marcelo Michelsohn
      Marcelo Michelsohn says:

      Oi Mari, gostei muito do seu comentário. É um bom ponto de partida pensarmos sobre as coisas que não gostamos quando fazem conosco. Imagine se você estivesse escrevendo um email, e alguém por cima do seu ombro começasse a dar pitaco o tempo inteiro. É horrível, né? Empatizar com a criança é super importante antes de sair propondo coisas é super importantes. Obrigado pela oportunidade de refletir. bjs!

      Responder
  26. Adriana Arrigoni
    Adriana Arrigoni says:

    Parabéns!! Amei seu texto, faço exatamente isso com meus 3 pimpolhos. Eles brincam muito….
    Tenho tido essa teoria a muito tempo, não sabia que era uma ciência. Existem pessoas da minha família que não entendem o “meu modo” de brincar e que na hora de brincar com as minhas crianças fazem exatamente como mãe do Gustavo em seu texto, e aquilo me deixa super inquieta e irritada.
    Mas nunca tive como argumentar, agora vou me aprofundar nesse conhecimento de educação ativa para conseguir base para minhas “crenças”, como eles chamam.

    Responder
    • Marcelo Michelsohn
      Marcelo Michelsohn says:

      Que legal que você já pratica isso Adriana. Também sinto que algumas pessoas próximas não conseguem entender essa minha forma de estar com as crianças. Mas quando vejo o efeito que uma presença não-diretiva tem na vida delas, não tenho dúvidas de que estou fazendo a coisa certa. Fique à vontade para mandar suas histórias, perguntas e comentários! Beijos.

      Responder

Deixe uma resposta

Want to join the discussion?
Feel free to contribute!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *