2013-06-26 18.08.54

Pai, Por que Alguns Adultos não Sabem Cuidar de Crianças?

Esse texto já foi lido18268 vezes!

(Esse texto fala sobre o desrespeito dos adultos pelas crianças e dá algumas dicas sobre como quebrar esse ciclo vicioso. Demora menos de 5 minutos para ler e é baseado em uma experiência que minha filha teve no fim de semana.)

Essa foi a primeira pergunta que Luna, minha filha de 4 anos me fez no domingo de manhã (estou me referindo à pergunta que deu origem ao título desse texto). Eu já imagina sobre o que ela estava falando e, portanto, quis explorar com atenção essa sua questão.

Eu: Que adultos?

Luna: Alguns adultos na festa da vovó.

Eu: O que eles faziam?

Luna: Eles ficava tirando o meu chapéu, ficavam pedindo para eu dar as minhas coisas para eles.

No sábado estivemos na festa de sessenta anos da minha mãe. Havia duas recreadoras fazendo aquelas esculturas de balão para crianças. Luna pediu um chapéu e uma espada. Ela adora brincar de cavaleira. Em um determinado momento encontrei Luna chorando:

Luna: Papai, essa mulher fica tirando o meu chapéu!

Eu: Você está chorando por que ela ficou tirando o seu chapéu.

Luna: Ela não pediu e eu não gostei!

Eu: Você não gosta quando fazem coisas sem falar com você, sem te pedir.

Luna: É.

Nesse momento apareceu um outro adulto dizendo: “Me dá sua espada?” e Luna respondeu com um forte “não”! O adulto insistiu: “Eu quero sua espada, me dá sua espada?”. Luna que já estava chateada, começou a ficar transtornada. O adulto, sem sensibilidade alguma, achou que ela estava gostando da brincadeira. Eu estava ajoelhado do lado dela, olhei nos seus olhos e disse: “Você não está gostando disso. Vamos brincar em outro lugar?” e saímos dali.

Eu sei que esses adultos estavam “brincando” com ela e que tinham boas intenções. Sei que eles estavam sendo extremamente inadequados e que, tristemente, nem percebiam isso. Por que agiram daquela forma? Acredito que eles foram desrespeitados quando eram crianças e provavelmente continuaram a ser desrespeitados em sua vida adulta. Aprenderam que o mais forte tem o direito de impor sua vontade sobre o mais fraco. Quando buscam satisfazer suas necessidades de conexão, acabam usando estratégias equivocadas que, na verdade, desatendem essa necessidade no longo prazo. Eles conseguiram uma reação da Luna, conseguiram que ela lhes desse atenção por um breve momento. Mas, como ela tem sua necessidade de conexão satisfeita de maneira mais saudável com outros adultos, provavelmente não vai querer se aproximar deles no futuro.

Marshall Rosenberg, criador da comunicação não-violenta, conta em um de seus livros que muitas vezes começa seus workshops com um exercício no qual o grupo é dividido em dois. Os dois sub-grupos recebem um texto descrevendo uma mesma situação, porém para um dos grupos, a personagem dessa situação é um filho ou uma filha, enquanto para o outro grupo, é um adulto qualquer. Os dois grupos devem fazer uma lista de reações frente a situação. Quando voltam para o grande grupo, apresentam as reações sem revelar um para o outro as personagens. Marshall pede para que eles reflitam sobre a diferença de reações dos dois grupos. Sempre fica muito óbvio que um dos dois grupos teve reações muito mais violentas do que o outro. Qual grupo teve reações mais violentas?

Em 100% dos casos, o grupo cuja personagem era o filho, teve reações muito mais violentas!

Por que alguns adultos não sabem cuidar das crianças?

Por que a maioria dos adultos não foi cuidada, quando eram crianças. A maioria dos adultos, foi sistematicamente desrespeitada, dia após dia durante sua infância. Quando falo em desrespeito, não estou me referindo apenas ao desrespeito mais óbvio, como o que aconteceu com Luna na festa, mas também ao desrespeito sutil e constante:

“Você vai vestir essa roupa que eu escolhi para você.”

“Você vai comer essa quantidade dessa comida que eu coloquei no seu prato.”

“Você vai ficar 8 horas em uma linda pré-escola.”

Todas essas mensagens são passadas, geralmente, com a melhor das intenções e com um tom de carinho. Mas, ao analisarmos com calma, veremos que elas não respeitam necessidades básicas das crianças. Não respeitam sua necessidade de autonomia sobre seu corpo e não respeitam sua necessidade de conexão com os pais, para dar dois exemplos.

E assim, as crianças crescem aprendendo que alguém com mais poder, decide as coisas por ela e portanto quando ela tiver em uma posição de maior poder, vai decidir as coisas pelos outros. É um ciclo que se reforça.

Como fazer para quebrar esse ciclo vicioso?

Não sei ao certo, pois ainda não consegui quebra-lo totalmente na minha relação com meus filhos. Mas, tenho algumas ideias:

1) Novas teorias que ajudem a questionar o modelo mental atual: Eu só consegui perceber como estava desrespeitando meus filhos quando fui exposto a novas teorias sobre o relacionamento entre pais e filhos. Primeiro fiz o curso com a Margarita Valência sobre Educação Ativa e depois fui me aprofundar, lendo livros como “Unconditional Parenting” do Alfie Kohn.

2) Auto-consciência: é importante percebermos quando estamos desrespeitando, para então poder escolher não fazer isso. Recentemente comecei a meditar por 20 minutos assim que acordo e senti que isso me ajuda a estar mais consciente momento a momento. Escrever esse blog também me ajuda a ter consciência dos meus atos. Escreva um diário sobre suas interações com seus filhos.

3) Testar novos comportamentos: Utilizando as novas teorias e a auto-consciência, comecei a testar novas formas de comportamento. Por exemplo, passei a deixar meus filhos se servirem durante as refeições. Quando esse novo comportamento resultou em refeições mais tranquilas, naturalmente ele passou a ser incorporado na nossa rotina.

4) Dar-se conta do quanto você foi desrespeitado: É importante entrarmos em contato com os sentimentos de tristeza e raiva relacionados aos desrespeitos que sofremos na nossa infância. O ideal é fazer isso sem ficar “reclamando” do passado. A ideia é notar que houve esse desrespeito e, se possível, dar vazão aos sentimentos que surgirem, de preferência através de um bom choro.

Esse último passo é o mais difícil, na minha opinião, pois exige que você confronte a forma como seus pais te criaram. Exige que você reconheça que foi desrespeitado por seus pais (ou por quem cuidou de você), que sinta tristeza e raiva daqueles pais que te desrespeitaram, e que ao mesmo tempo, reconheça que eles estavam fazendo o melhor que podiam, com todo o amor que tinham por você. A outra dificuldade desse passo é que, na maioria dos casos, não temos tempo, espaço e pessoas adequadas que nos ajudem a expressar esses sentimentos de forma segura. A Patty Wipfler, criadora do Parenting by Connection, sugere que você encontre um outro adulto no qual confie muito e faça sessões regulares nas quais um se abra para o outro, que apenas escuta e cria o ambiente para que o sentimento possa aflorar. É possível fazer isso em terapia ou em sessões de coaching voltadas para questões de relacionamento entre mães, pais, filhas e filhos.

Luna, querida filha, é por isso que alguns (muitos) adultos não sabem cuidar de crianças. É por isso que decidi me engajar nessa jornada de auto-transformação. Quero ser um adulto que  cuida e  respeita. É por isso que decidi compartilhar essas nossas histórias com outros adultos, para que eles se transformem e ajudem a cuidar de uma próxima geração que vai ser mais respeitosa e carinhosa.

37 respostas
  1. maria Elisa
    maria Elisa says:

    Marcelo, parabens pela iniciativa do blog. Interessante. Vc tem só a Luana como filha ou tem mais filhos? Pq uma coisa é estar a disposição e poder lidar com 1 tipo de demanda, e outra coisa é vc, ser humano e limitado, lidar com varias demandas ao mesmo tempo, de uma forma tão tranquila e acertiva. E também o mais importante eu acho, é vc cuidar de um filho, preparando-o para uma vida. Isso não quer dizer q a grosseria, violencia e tudo mais aconteçam, só pq existe la fora isso. Mas ter uma linha de vida que permita que esta criança q virara um adulto logo, possa se sentir cuidada em coisas e decisões que ela não sabe ainda tomar. Sobre o ambiente da festa q ela estava, de verdade, eu nunca estive num lugar que os adultos desrespeitassem desta forma nenhum filho meu. Já vi entre as proprias crianças este desrespeito e comportamento. E se eu visse eu já rapidamente tiraria meu filho de perto, com delicadeza, mas com muita convicção. Há que ter o preparo necessario, até para eles, crianças, saberem dizer não ao que eles não querem. E vejo isso esbarrar muito em limites, como já foi comentado anteriormente. Limites sempre existirão, e são necessários. E muitas vezes na vida, pelo nosso próprio bem e crescimento, temos, teremos e tivemos que fazer o que tinha q ser feito e não simplesmente o que queríamos, queremos ou quisemos fazer. Não tive falta de respeito na minha infância que me lembre. Meus pais erraram e acertaram, com certeza. Mas não me senti ofendida e nem castrada em minhas ações, nem mesmo qdo apanhava deles merecidamente….Talvez por isso não vi na criação e cuidado dos meus filhos, alguma atitude dessa. E acho que nem eles. Sempre respeitei os gostos, vontades, emoções, sentimentos, mas quando tínhamos que fazer uma escolha e esta não estava ainda ao alcance deles faze-las, explicávamos e, na boa ou não, eles acatavam. E nos agradecem por isso. E sabem, hj pais, que como todos, erramos e acertamos.

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  2. Mônica
    Mônica says:

    Costumo dizer, pra mim e pros outros, que meu filho é, dentre muitas outras coisas, a maior oportunidade que já tive na vida. Oportunidade pra refletir, pra tentar, pra repensar, pra me conhecer, pra melhorar dia a dia, pra entender porque certas coisas doem tanto, porque outras são tão importantes, enfim… Nunca imaginei que teria uma experiência diária tão rica e tão cheia de possibilidades. Nem preciso dizer que adorei suas palavras. As pessoas não sabem mesmo, exatamente porque não foram bem cuidadas. Entre os meus dilemas, preciso ponderar, está o medo de transferir pra criança o absoluto poder de decisão, quando estou convencida de que ter quem decida por elas, em muitos casos, dá a segurança necessária. Enfim, cada situação é única e o desafio é saber reconhecer os limites. Vivo esse desafio diariamente, feliz da vida!

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  3. Jone EFlávia Casamali
    Jone EFlávia Casamali says:

    Nascemos porque enfrentamos desafios desde o caminho para o ventre e vencemos, ao anular o processo natural de desafios corremos o risco de criar seres humanos passivos e inoperantes diante de situações comuns desse mundo, ao equilibrar boas atitudes com respeito ao próximo você fortalece seu filho para transmitir valores e recusas aos adultos que não receberam essas boas práticas. Sem qualquer apoio aos chatos minha colocação vai ao encontro do autor Marcelo, com outra observação paralela sobre posturas de nós pais nesse intenso caminho da boa instrução. Instrua a criança segundo os objetivos que você tem para ela, e mesmo com o passar dos anos não se desviará deles. Provérbios 22:6

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  4. maria Lopes de Menezes Mota
    maria Lopes de Menezes Mota says:

    Sou da época em que os pais espancava os filhos e fui criada assim ,tomando surra quase todos os dias ,mas nem por isso me tornei uma mãe rude ,tenho 3 filhos maravilhosos 2 cursando faculdades federais e a casula ainda no ensino básico , eles passaram por tudo que descreve o testo acima e a filha mais nova ainda sofre muito bullyg na escola . É muito difícil ver nossos filhos sendo injustiçados ,mas crer em Deus é o melhor caminho ,pois sofri muito quando criança e hoje me sinto muito forte e superada de tudo do passado,tento dar o melhor de mim para criar meus filhos ,jamais deixei que eles fossem criados como eu ,porém na rua e na escola não tem como evitar , as brincadeiras sem graças de pessoas sem noção é menos agressiva que o bullyg principalmente nas escolas e até mesmo dos professores . É preciso que as autoridades liberem câmeras nas escolas principalmente nas salas de aulas ,pois assim acabaria de vez com as falsidades e poderia ver os verdadeiros culpados de tantos maus tratos nas escolas públicas .

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  5. lesly monrat
    lesly monrat says:

    Uma das coisas que mais me deixa apaixonada por ser mãe é a diária oportunidade de me tornar alguém melhor. É um desafio você transformar velhos hábitos ou saber resolver situações antes nunca sentida. De fato respeitar o filho como se humano cheio de capacidades é tão forte quanto estar no mundo cheio de problemas e protegê-los embaixo das asas! Gostei muito das suas experiências. Parabéns pela dedicação e carinho. Estamos juntos e em sintonia. E que o amor seja sempre a prioridade nas escolhas. Abraços. Lesly = http://www.porquenaomamae.com

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  6. Adriana Ribeiro
    Adriana Ribeiro says:

    Esse texto me lembrou um livro que li há bastante tempo e que fica no meu escritório… sempre que sinto necessidade eu leio esse livro novamente: “A Profecia Celestina”. Entre outras coisas, o livro traz, dentro de uma estória de aventura que se passa no Peru, conceitos bem interessantes e reflexões sobre como lidar com os filhos/crianças de modo geral. Fica a dica!

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  7. Itiana Rochele
    Itiana Rochele says:

    Estou me preparando para ser mãe da Lua… quando li a experiencia vivida com a Luna logo me identifiquei, pois vejo diariamente este tipo de relação entre adultos e crianças, achei fantástica sua reflexão Marcelo, a contribuição do restante foi complementar e riquíssima… acho que espaços como este serão fundamentais para minha relação com a Lua que quero cuidar e cultivar buscando sempre crescer como pessoa e permitir que minha filha cresça… sempre que me perguntam se estou pronta para ser mãe respondo com muita propriedade: “Não! Claro que não!” Acredito que para esta relação vamos livres, abertos e iacabados sempre, nunca prontos, temos sempre muito mais a aprender do que a ensinar! è uma construção diária, árdua que exige revisão e transformação constante!
    Obrigada a todos pelas reflexões, ganhei o dia! =)

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    • Marcelo Michelsohn
      Marcelo Michelsohn says:

      Olá Itiana, obrigado pelo comentário. Que a Lua venha em boa hora. Que sorte a dela, ter uma mãe como você que investe tempo agora nessas reflexões. Mande notícias do nascimento e passe por aqui de vez em quando (quando ela dormir) para trocarmos umas ideias. Abraços!

      Responder
  8. Larissa Gifoni
    Larissa Gifoni says:

    Reagimos de forma desrespeitosas com as crianças porque também não sabemos nos respeitar como adultos. Falta-nos um mínimo de empatia e hábito de exercitar virtudes como generosidade, indulgência, tolerância, apreciação sincera! Gostei muito de suas ideias! Obrigada, Mayara Ripardo, por me apresentar esse blog!

    Responder
    • Marcelo Michelsohn
      Marcelo Michelsohn says:

      Obrigado pelo comentário Larissa. E a questão é que não nos respeitamos como adultos, porque não fomos respeitados quando crianças. Mas é possível superar isso. Acho que os filhos nos dão a força necessária para enfrentarmos essa nossa dificuldade. Abraços!

      Responder
    • Marcelo Michelsohn
      Marcelo Michelsohn says:

      Oi Aline, adorei seu texto. É uma situação que ocorre diariamente com as crianças e o pior é que a maioria dos adultos acha normal. Poucos tem a empatia necessária para entender o tempo da criança. Vamos trocando mais! Beijos!

      Responder
  9. limamm
    limamm says:

    Muito bom o texto! Obrigada por compartilhar, realmente faz diferença e ajuda a pensar e refletir sobre nossos comportamentos. Algumas das suas sugestões já praticamos aqui em casa, e o que mais me incomoda é quando os adultos mentem para as crianças: vai tomar uma vacina de injeção e a enfermeira vem dizer qua não dói nada…. corto na hora e digo que vai doer sim, mas que é importante para ele. Outra coisa, já aconteceu algumas vezes com meus pais ou sogros de o meu filho se machucar e vir chorando dizendo que está doendo e eles responderem com o famoso “não foi nada”. Eu digo na hora: doeu? machucou, dói mesmo, um pouquinho, mas logo passa. Também entendo estas situações como falta de respeito para com a criança.

    Responder
    • Marcelo Michelsohn
      Marcelo Michelsohn says:

      Concordo plenamente. Não há porque mentir. Isso só faz com que a criança não confie em seu próprio corpo. Se está doendo, por que um adulto que eu amo está dizendo que não dói? Obrigado pelos exemplos e pela reflexão. Abraços.

      Responder
  10. Rogelia
    Rogelia says:

    O texto veio na hora certa p mim. E os comentários responderam minhas dúvidas. Muito bom saber q outros pais tem questões tão parecidas com as minhas! Só q estou um pouco mais devagar em achar as respostas. Fui criada com amor mas com muitos momentos desrespeitosos q infelizmente ainda me perseguem na relação com meus pais e tento, agora q sou mãe, aproveitar a oportunidade p evoluir, amar e respeitar minha filha e os q me rodeiam. Obrigada pelo texto e pela oportunidade de reflexão.

    Responder
    • Marcelo Michelsohn
      Marcelo Michelsohn says:

      Que bom Rogelia. Fico muito grato pelo seu comentário. É muito importante criar um espaço seu para descarregar esses sentimentos de raiva e de tristeza. Outro dia eu acordei, dirigi o carro até um lugar deserto, coloquei uma música alta no carro e com tudo fechado comecei a gritar. Em pouco tempo estava chorando. Fiz isso por alguns minutos. Voltei pra casa muito mais leve, com muito mais espaço emocional para interagir com meus filhos e minha esposa. Seja bem vinda ao blog. Grande abraço.

      Responder
  11. Laura Gonçalves
    Laura Gonçalves says:

    Puxa, adorei esse bate-papo virtual. Ajuda bastante nessa tarefa árdua que é educar nossos filhos!
    Obrigada Marcelo, por nos proporcionar isso.
    Beijos saudosos da tua família

    Responder
  12. Bruna
    Bruna says:

    Ola Marcelo, primeiro eu quero agradecer por você compartilhar suas reflexões tao ricas.
    Também gostaria de fazer uma pergunta: qual você acha que eh a melhor forma de intervir, quando um adulto estah sendo desrespeitoso com uma criança? Eu fico na duvida sobre o quanto eu devo responder pelo meu filho (que estah com quase dois anos) e eu também observei, tanto no seu texto como na resposta da Laura, acima, que vocês optaram por menos intervenções.

    Com carinho,
    Bruna

    Responder
    • Marcelo Michelsohn
      Marcelo Michelsohn says:

      Oi Bruna, obrigado pela pergunta. Olha só, quando eu estou perto e estou sentindo que o adulto está sendo desrespeitoso e está fazendo com que meus filhos se sintam mal, eu geralmente me abaixo no nível dos meus filhos e repito o que eles estão dizendo (“estou ouvindo a Luna dizer que não quer emprestar a espada”) ou as vezes falo: “Luna, estou sentindo que você não está gostando. Você quer falar algo para ele?”. Em ambos casos, o adulto se sente constrangido sem se sentir ameaçado e para o que está fazendo. As vezes dá uma risada nervosa as vezes diz: “eu só estou brincando”. Luna, geralmente responde: “Mas eu não estou gostando dessa brincadeira.” Eu definitivamente não tento resolver a questão pelos meus filhos, a não ser que a coisa seja muito grave, mas também não deixo eles sozinhos em um momento onde a relação de poder é desigual. Quanto mais novo o filho, mais atenção temos que ter e mais temos que intervir, pois em alguns casos eles não conseguem nem perceber que estão sofrendo desrespeito. Ajudou?

      Responder
  13. Larissa
    Larissa says:

    ótimas reflexões… gratidão!
    Seu post e o comentário da Laura me fizeram lembrar de uma pergunta que a Elis me fez há um tempo atrás, diante de uma situação que ela viveu no condomínio em que moramos, nem sei se comentei com você…
    “Por que alguns adultos não acreditam quando uma criança fala, mas se outro adulto fala, eles acreditam??”
    Só me tranquiliza o fato da Luna e da Elis usarem a palavra “alguns” e não “todos” ou “adultos” de maneira geral… sinal que temos “salvação” rsrs

    Responder
    • Marcelo Michelsohn
      Marcelo Michelsohn says:

      Eu não coloquei no blog, mas depois eu perguntei para Luna quais adultos sabiam brincar e ela respondeu: “Você e a mamãe”. Dei um sorriso daqueles! Eu lembro de você comentar sobre o fato que levou a essa pergunta da Elis. Para mim as coisas estão ficando mais claras: quanto mais a criança tiver experiências com adultos que acreditam nelas, mais irão acreditar em crianças quando forem adultas e, vice-versa.

      Responder
      • Larissa
        Larissa says:

        Sem dúvida! O que ainda me deixa confusa é o que dizer para uma criança maior, como é a Elis, que tem mais chance de viver algumas situações dessas sozinha… como “ensiná-la” a se proteger ou a se defender quando não estamos por perto… Novamente esbarra na minha dificuldade, claro, não aprendi a “me defender” ou aprendi meio “torto”. Mas fico querendo encontrar uma forma para acolhê-la e ao mesmo tempo instrumentalizá-la para lidar com as situções que sem dúvida não vão deixar de acontecer. Ai ai…

        Responder
  14. Laura Gonçalves
    Laura Gonçalves says:

    Lindo, sobretudo porque foi uma pergunta/percepção de uma criança de 4 anos. Outro dia, na padaria, para se aproximar e brincar com Caetano, a moça perguntou se ele dava para ela seu coelhinho e ele disse que não e ela insistiu até ele chorar! Conversei bastante com ele logo em seguida sobre o quanto havia sido chata aquela situação, sobre o quanto ele havia ficado bravo e triste e fiquei achando que eu bem devia ter intervido mais duramente com a mulher… Mas claro que os exemplos são múltiplos. E tem situações em que esse desrespeito é muito óbvio.
    Mas sempre fico com dúvidas sobre o que é imposição desnecessária e o que é necessário. Fralda com cocô na bunda e não querer trocar ou mesmo fralda cheia de xixi. Eu digo que “tudo bem”, podemos esperar um pouco e esperamos, brincamos e faço uma tentativa de que seja na boa. às vezes espero mais e (às vezes não tem jeito de esperar: a fralda já vazou xixi quando vemos, geralmente de manhã, ou o cocô foi molinho, por exemplo). Às vezes isso permite que façamos essa troca numa boa, sem estresse, às vezes não. Às vezes é assim: “agora, nós vamos trocar” ou, noutras situações, “agora, nós precisamos ir embora”. E muitas vezes, esse trocar a fralda qdo a criança não quer, ir embora quando ela não quer, são vividos por ela como uma imensa frustração…e me pergunto se para ela aquilo tbém não é vivido como desrespeito…

    Responder
    • Marcelo Michelsohn
      Marcelo Michelsohn says:

      Oi Laura! Obrigado pelo comentário e pela oportunidade de reflexão. Eu acho que existe uma diferença entre desrespeitar e colocar limites. No caso de precisar ir embora de um lugar, o que eu faço é avisar com 10 minutos de antecedência e depois com 5 minutos de antecedência que vamos embora. Eu chego bem perto, olho no olho, no mesmo nível e falo: “nós vamos embora em 10 minutos” Uso um tom de voz normal, sem tentar ser carinhoso, sem sentir que estou fazendo algo que eles não vão querer. Eu não falo: “vamos embora daqui a pouquinho?” como se fosse uma pergunta. Se falamos como pergunta, significa que podemos aceitar uma resposta, seja ela sim ou não. Na maioria das vezes eles vem numa boa. Quando eles não vem, eu tento checar rapidamente se há algo que eu fiz para criar essa situação, ou se é um pedido deles por conexão. Se é um pedido deles por conexão, eu vou até eles e coloco o limite: “agora nós vamos embora”. Se começarem a chorar, eu fico escutando, bem perto, sem falar muito. Geralmente, depois de alguns minutos o choro para, eles pedem colo, fico com eles no colo até se acalmarem e depois vamos. O que você acha? Dá pra testar?

      Responder
    • Soraya Gutierrez
      Soraya Gutierrez says:

      Laura, me identifiquei com suas questões. Eu, particularmente, decidi agir da seguinte maneira (vamos tomar como exemplo a troca de fraldas): se for mesmo necessário, eu explico, converso q eh necessário, e faço a troca. Acredito q as crianças devem ser respeitadas, porém elas ainda não tem idade para decidir muitas coisas importantes na vida dela, como por exemplo, quantas horas ela ficará na escola, ao contrário de uma simples escolha de qual roupa usar… É uma linha muito tênue esta divisão, não é mesmo?

      Responder
      • Marcelo Michelsohn
        Marcelo Michelsohn says:

        Oi Soraya. É uma linha tênue e que se move na medida em que vamos nos conectando com as reais necessidades da vida. Nós, por exemplo, decidimos colocar a Luna na escola quando ela tinha 1 ano e 8 meses. Quando ela tinha 3 anos e pouco, perguntamos se ela queria ir a escola e ela disse não. Acreditamos sinceramente que ir a escola não é uma necessidade de uma criança de até 4 anos e meio (é a idade atual da Luna). Nós temos muito poder para decidir sobre coisas muito importantes nas vidas dos nossos filhos e por isso, sempre me pergunto se é uma necessidade deles, ou nossas (dos adultos). Como falei, essa linha pode mudar novamente ou a Luna pode pedir para ir a escola novamente. Quem sabe? Vamos lidando no dia a dia, com leveza e conexão com a vida. Obrigado por permitir essa reflexão.

        Responder

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