“Eu Estava Brincando com o Banquinho!”

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(Escrevi esse texto no ano passado, mas acho que tem muitas conexões com o anterior, por isso decidi publicar agora. É sobre o desrespeito dos adultos, sobre conseguir escutar e acolher o choro da criança e um pouquinho sobre organização do espaço de brincar. Leva uns 5 minutos para ler.)

Há alguns dias fomos à festa de aniversário de uma criança que fazia 3 anos. A festa foi em uma casa muito bonita, com jardim, piscina e alguns brinquedos ao ar livre. Porém, choveu o dia inteiro. Imagine cinquenta adultos e dez crianças dentro da casa, que era bem grande. As crianças estavam concentradas em um espaço onde havia muitos brinquedos. Os adultos sentados em mesas comendo, bebendo e conversando. Era difícil para as crianças se concentrarem em suas brincadeiras, especialmente pois havia vários adultos interferindo, sugerindo, dirigindo essas brincadeiras.

Ao final da festa, o número de crianças e adultos já havia diminuído. Eu olhei para o espaço onde as crianças estavam brincando e notei todos os brinquedos espalhados pelo chão. Há alguns anos, isso não teria tido o menor efeito em mim, porém hoje em dia consigo perceber como é difícil ficar relaxado em um ambiente tão caótico. Comecei a recolher os brinquedos e colocá-los de forma ordenada em cima de uma bancada em uma altura na qual as crianças teriam acesso fácil. Juntei todos os carrinhos em um canto, as bonecas logo ao lado, os talheres, pratos e copos de plástico do outro. Regiane, ao ver minha movimentação começou a ajudar. Enquanto eu arrumava, fui descrevendo para as crianças o que eu estava fazendo, sem a expectativa que elas fossem ajudar. Algumas crianças começaram a prestar atenção ao que eu estava fazendo e começaram a arrumar também, recolhendo peças de quebra-cabeça e até dando sugestões de onde os brinquedos deveriam ficar. Não contei o tempo mas acredito que isso durou pouco mais de cinco minutos. O ambiente ficou muito mais agradável e as crianças recomeçaram a brincar, mas agora de forma mais tranquila.

Quase no final da festa aconteceu uma cena interessante. Eu estava conversando com alguns pais que se interessaram em saber mais sobre Educação Ativa, Educação Não Diretiva. Eu estava sentado, conversando. Luna começou a brincar com um balão que tinha gás hélio e que portanto “voava”. Ela estava maravilhada e inventou uma brincadeira. Ela soltava o balão e este subia até chegar ao teto. Ela então subia em um banco, desses de plástico branco sem encosto e conseguia alcançar o fio e puxar o balão de volta. Após prestar atenção ao que ela estava fazendo, voltei a conversar com os adultos que estavam a meu lado, perdendo assim a conexão com minha filha.

De repente ouço Luna gritar: “Eu estava brincando com o banquinho!”. Ela começou a chorar um choro sentido, de raiva e tristeza. Parei minha conversa e me dirigi até ela. Veio um pensamento na minha mente: “Estou na casa de uma pessoa estranha, conversando com pessoas que mal conheço, sobre educação e minha filha está chorando. O que eu faço?”. Me veio um sentimento de vergonha. Mas consegui respirar e deixar esse sentimento fluir. Fui chegando perto da Luna, me conectando com a dor dela, e imediatamente meu pensamento e meu sentimento mudaram. Foi como se as pessoas naquela sala tivessem desaparecido. Eu não me importava mais com onde eu estava ou quem estava ali. Eu me importava apenas com minha filha. Cheguei perto dela. Olhei em seus olhos e gentilmente passei um braço por suas costas. Eu estava mostrando pra ela que eu estava ali, com ela e para ela. Luna falo: “Ele levou o banquinho que eu estava brincando!” e continuava a chorar e soluçar. Em algum canto da minha mente, eu tinha registrado essa cena, mas como eu estava focado na conversa, não reconheci a consequência desse ato e não consegui intervir de forma preventiva.

A aniversariante, 1 ano mais nova que a Luna, resolveu subir no banquinho também. O pai dela viu e achou perigoso. “Você não pode subir aí, pois é perigoso e você pode cair.”. Com essas palavras, ele pegou o banco e começou a se dirigir para cozinha. Luna ainda falou: “Eu estou brincando com esse banquinho.”, sem sucesso. Ele virou as costas e levou o banquinho. Foi isso que despertou a raiva e a frustração de Luna. Após ter resgatado essas imagens da minha mente, falei: “Você não gostou que ele levou o banquinho.”. Luna concordou, e no meio do choro falou: “É, eu tava brincando. Eu nunca mais vou vir aqui!”. “Você pediu para ele deixar o banco e ele nem te escutou, né?” eu falei e ela respondeu acenando a cabeça. “Isso foi chato” eu conclui e ela concordou. Fiquei em silêncio, mantendo minha presença e empatia com Luna. Aos poucos o choro foi diminuindo. Quando percebi que ela já estava mais calma, perguntei: “O que podemos fazer? Você tem alguma ideia?” e comecei a olhar para os lados buscando alguma ideia, alguma alternativa. Ela viu meu movimento e começou a olhar também. Ao nosso lado havia uma cadeira. Ela disse: “Eu posso usar essa cadeira” e eu respondi “Boa ideia”. Ela pegou a cadeira e repetiu a brincadeira, se acalmando cada vez mais.

Se eu tivesse presente desde o início da situação, eu poderia intervir na hora que o banquinho estava sendo levado, pedindo para o adulto pelo menos escutar o que Luna estava dizendo e talvez criar alternativas antes que a situação explodisse. Mas já que eu não estava presente antes, pelo menos consegui resgatar minha presença durante o processo de acolher minha filha. Notem que eu não falei: “Não precisa chorar, não foi nada.” Essa deve ser a frase mais falada para crianças que estão chorando. Imaginem uma situação de tristeza profunda que vocês passaram ultimamente. Agora imaginem alguém chegando do seu lado e dizendo: “Isso não é nada.” Eu particularmente acharia um absurdo, mas quando se trata de respeitar os sentimentos das crianças, parece que os adultos simplesmente se esquecem.

Queremos fazer a criança parar de chorar o mais rápido possível. Por que? Por que o choro nos incomoda tanto? O choro é a forma que a criança tem de, não só expressar sua frustração, dor, raiva, mas também de descarrega-los. Quando falamos para a criança parar de chorar ou quando a distraímos, ela perde a oportunidade de descarregar e de voltar a um estado relaxado. Após seu choro, que demorou alguns minutos, Luna voltou a brincar tranquilamente. Pra mim, a chave, é empatizar com a criança. É esquecer tudo a sua volta, principalmente ignorar os adultos. Eu falei o mínimo possível para que ela sentisse que eu estava ali e estava entendendo o que estava se passando com ela. E fiquei em silêncio. Além disso, ao invés de distrai-la ou oferecer uma solução, eu pedi para ela achar uma alternativa sozinha. Isso começa a mostrar para ela, que ela consegue sozinha criar alternativas quando enfrenta situações de frustração.

É claro que eu não consigo fazer isso sempre. Essa capacidade de respirar e reencontrar um estado de presença e conexão é algo que  necessita prática. Ana Thomaz, sugere que pratiquemos presença sempre que possível, especialmente em situações nas quais não há tensão, como por exemplo ao lavar a louça, tomar banho, dirigir. Experimente perceber o que acontece com seus pensamentos enquanto você faz suas tarefas do dia a dia. Note como, quando você está no banho, ao invés de prestar atenção no seu corpo, você já está pensando na lista de compras, ou na reunião que terá com seu chefe. E quando você está fazendo compras, está pensando no que fará no fim de semana. E quando está no fim de semana, já está pensando no relatório que terá que entregar na 2a feira. Ou seja, quase nunca estamos presentes no momento, mesmo quando estamos sozinhos em uma situação relaxada. Imaginem quando estamos em relação com outros e quando a situação fica tensa. É preciso prática, consciente e diária.

19 respostas
  1. Camila
    Camila says:

    Marcelo, profundo isto que você disse: “O nosso choro abre espaço para ouvirmos o choro dos nossos filhos.”
    Para mim ainda é dificil ouvir o choro, que dirá de forma conectada….
    Mas estou no caminho.. Acho que reconhecer isto já é o 1o passo.
    E tambem voltei a terapia..
    Obrigada pela atenção e rápida resposta.
    Queria mais informações sobre os cursos que você cita nos seus textos.. em especial o Hand in Hand.. Achei um site em ingles, mas queria saber mais do curso que você cita sempre…
    Obrigada !

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    • Marcelo Michelsohn
      Marcelo Michelsohn says:

      Oi Camila. O site e os cursos são em inglês mesmo. O primeiro que foz chama-se Setting limits and building cooperation. São vídeos online em inglês que você assiste quando quiser. Você teria interesse em cursos em português?

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  2. Camila
    Camila says:

    Marcelo, conheci seu blog hoje e estou amando os textos. Este em especial me chamou a atenção pois tem a ver com o momento q estou passando há algum tempo. Não consigo aguentar o choro da minha filha ! Me incomoda demais.. depois de muito pensar, vejo q as vezes estou cansada, estressada e a ultima coisa q quero ouvir é ela chorando , e tambem ja percebi que me incomoda ve-la chorar pois as vezes é algo que não posso resolver.. Neste momento me sinto culpada e impotente por não poder ajuda-la. Acha q dá para ” aplicar ” esta questão da escuta, presença e depois explicação com uma criança de 1a8m ? Obrigada ! Camila

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    • Marcelo Michelsohn
      Marcelo Michelsohn says:

      Oi Camila, bem vinda ao time de pais que se sentem cansados e estressados. Você não esta sozinha. Com certeza da pra aplicar nessa idade. Mas você tem que estar bem para colocar o limite sem agressividade e para ficar ouvindo o choro de forma conectada. Para isso é bom que consigamos um tempo para chorarmos. O nosso choro abre espaço para ouvirmos o choro dos nossos filhos. Se precisar de apoio, me avise. Abraços

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  3. Clarissa Homsi
    Clarissa Homsi says:

    Oi Marcelo, tá muito bacana seu blog! Super obrigada por compartilhar sua experiência e suas reflexões. O Miguel tem chorado/reclamado qdo, por exemplo, a bola vai para um lugar em que ele tem que fazer algum esforço pra pegar, ou qdo não consegue encaixar uma peça no buraco, ou pq é de outro buraco ou pq só precisa virar um pouquinho pra encaixar. Nessas situações, diferentemente de outras, tenho dito que não precisa chorar “só” porque a bola está logo ali, ou a peça nao encaixou, basta fazer isso ou aquilo. Lendo seu texto me questionei se não estou desrespeitando a maneira como ele consegue expressar sua frustração momentânea. O que vc acha? (Ah! mudamos pra Campinas mas fiquei 30 dias sem internet e acabamos nao nos falando qdo vcs estiveram aqui. Têm planos de voltar? Gostaria de encontrá-los e trocar umas ideias pessoalmente.) beijos e obrigada!

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    • Marcelo Michelsohn
      Marcelo Michelsohn says:

      Oi Clarissa! Devemos passar por campinas em outubro. Eu te aviso com antecedência. Olha só, mesmo não tendo detalhes da situação do Miguel, eu sinto que quando a criança está tranquila, ela não chora só porque a bola foi para um lugar no qual ele tem que se esforçar para pegar. Pense nele mais novo, engatinhando atrás das coisas que ele queria pegar sem ficar chateado. Parece que ele está precisando descarregar uma emoção vinculada com esse tema: “não gosto quando as coisas não acontecem do meu jeito”. E, as crianças vivenciam essa frustração diariamente e mais ainda num momento de transição como o de vocês. Ele não escolheu mudar de casa, de cidade. Assim como a Luna e o Leo também não escolheram ir para longe dos avós. Eu testaria duas abordagens: uma é ouvir o choro sem tentar minimizar o sentimento e nem resolver a situação (por exemplo, pegando a bola). Pode ser que ele fique bravo e tenha um comportamento mais explosivo e aí é hora de colocar um limite amoroso e ter tranquilidade para ficar escutando o choro que, certamente virá. A outra forma, que pode ser complementar, é transformar essas situações em uma brincadeira na qual ele possa extravasar através do riso. Nesse brincadeira, você ou o Thiago devem fazer o papel de bôbos ou inadequados, por exemplo tentando alcanças um objeto, uma bola e cada vez que você encostam na bola ela vai para mais longe e vocês dizem: “Agora essa bola não escapa!” e aí a bola rola mais longe ainda. Vejam se ele dá risada. Se ele rir, façam mais e mais. Ou talvez brinque com ele de pega-pega, de forma que quando você está quase pegando, talvez pegando levemente na roupa dele, ele escapa. Veja se ele ri, e aí continue. Deixe ele ser o mais adequado, deixe ele estar em controle. Não introduza coisas suas na brincadeira, tipo: “eu sou o lobo e vou te pegar”. Sempre podemos conversar por skype se você quiser: maremichelsohn. Abração!

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  4. Regina Miranda
    Regina Miranda says:

    Muito bom, como sempre, o seu texto! Com certeza vai me ajudar a enfrentar situações semelhantes na minha convivência quase diária com minha netinha Luísa de 3 anos. Beijos e parabéns!!!

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  5. Maira Barbosa
    Maira Barbosa says:

    Muito sensível e interessante seu texto (aliás, já havia lido outro do blog que também gostara muito). Tenho um menino de 3 anos e essas idéias me ajudam a pensar um pouco sobre como tenho lidado com o choro e outras dificuldades dele. É maravilhosa a ideia da presença, mas não me parece fácil: exige um desafio constante de atenção às próprias dificuldades e limitações. Parabéns pelo seu trabalho!

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    • Marcelo Michelsohn
      Marcelo Michelsohn says:

      Oi Maira! Obrigado pelo carinho. É verdade, a tal da presença não é fácil, mas é algo que podemos sempre buscar e melhorar. Uma das coisas que tem me ajudado muito é conversar com uma pessoa que me permite desabafar os meus sentimentos. Para estarmos presentes, precisamos desafogar um pouco o nosso próprio choro que foi e é reprimido. Abração!

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  6. Raquel Gebara
    Raquel Gebara says:

    Dear Marcelo,
    I found your article very pertinent and would like to know if you can consider publishing a version in English. I am bilingual so I could understand it and I am also an educator at an international school. I would love to share your example and suggestions of Non-Directive Education with our teachers. Pre-School and Elementary (Primary) teachers are a great asset to plant and spread seeds of good quality education because they are (usually) heard and respected by parents.
    Muito obrigada e um abraço!

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    • Marcelo Michelsohn
      Marcelo Michelsohn says:

      Oi Querida! Que ótima ideia. Muitas pessoas estão pedindo para eu traduzir os textos para o inglês, mas como isso ainda não é meu trabalho principal, não encontrei tempo. Mas com seu incentivo, fiquei empolgado. Podemos combinar uma conversa com os professores e/ou pais da próxima vez que eu estiver em Campinas. O que você acha? Espero te encontrar em breve. Beijos!

      Responder
      • Raquel Gebara
        Raquel Gebara says:

        Êba! Gostei da idéia. Eu coordeno um programa para os alunos que estão saindo do ensino médio (11th and 12th grade) e, portanto, estão um pouco fora do tópico (or are they??) mas tenho um relacionamento super bom com as coordenadoras dos programas para toddlers e kindergarten. Vou falar com elas e tentar planejar alguma coisa. Você não imagina como é difícil encontrar alguém competente que possa dar uma palestra/bater um papo em inglês e português! A gente se comunica. Beijo!

        Responder
  7. Lídia Maria
    Lídia Maria says:

    Fiquei encantada com o texto, pois acabei de ser mãe, meu filho tem 3 meses e estou me descobrindo mãe e ele se descobrindo filho. Esse processo não está sendo fácil e textos como o seu clarifica algumas interrogações. Obrigada, Lídia Maria

    Responder
    • Marcelo Michelsohn
      Marcelo Michelsohn says:

      Que bacana Lídia! Como estou escrevendo sobre eventos recentes na minha vida com meus filhos, não imaginava que eles podiam ser úteis para mães e pais com filhos mais novos. Seu comentário me encoraja a continuar escrevendo! Abraços!

      Responder
  8. Laura Gonçalves
    Laura Gonçalves says:

    Querido Marcelo,
    Ótemo! Adorei. Mas sempre me pego com uma dúvida (uma????!!!!!!). É que vejo que às vezes o Caetano começa a chorar/berrar/espernear por algum motivo que lhe chateou (geralmente quando contrariado) e sinto que ele se desorganiza, se perde e parece já nem lembar porque começou e aquilo duuuuuuuuuuuuura se a gente não intervém, não diz que já passou ou então distraímos para outra coisa. Como distinguir quando é “manha”? Acho que até a manha pode ser legítima, mas muitas vezes sinto que é preciso uma intervenção no sentido de “enxugar”, não fazer render demasiado, pois se rende de mais me parece que não faz bem…não acho que “descarrega”…parece que “descarrega” e “carrega” de outra coisa…não sei se estou conseguindo me fazer entender.
    De qualquer forma, para tudo nessa vida, é precioso o toque do exercício para estarmos presente, porque isso é um desafio não só para os pais, mas acho que um desafio do contemporâneo e dos processos de subjetivação que vivemos…
    Adorei o post, sempre me ajuda a repensar.
    Outro dia vi um amigo com seus filhos e o meu agindo assim: além de nomear o que as crianças estavam sentindo ele dramatizava, por exemplo, o que cada um tinha sentido:
    – Fulano, estou vendo que você ficou muito bravo com o que o Outro fulano fez, então diz para ele: “Outro fulano fiquei muito bravo com o que você fez, não gostei. Você pegou e não me pediu” (falando num tom de voz bravo). Aí fazia o mesmo com o outro. Que tal te parece?
    beijos

    Responder
    • Marcelo Michelsohn
      Marcelo Michelsohn says:

      Muito legal sua reflexão. Seria bom ter mais detalhes sobre alguma situação específica na qual o Caetano tenha chorado. Por exemplo, quanto tempo durou esse choro? Estou fazendo um curso chamado Building Emotional Understanding e a teoria deles é que nós (Adultos) não nos sentimos bem com o choro, a manhã, a birra das crianças, pois quando nós éramos crianças não tivemos alguém que nos permitisse expressar nossos sentimentos e que vinham com todo o tipo de truques para pararmos, seja através de ameaças: “para de chorar, ou vou te dar um motivo real para chorar”, até o famoso: “não foi nada, pode parar, olha só que legal esse brinquedinho aqui.”. Eles citam vários exemplos de crianças cujos pais aprenderam a Ficar Escutando (stay listening) o choro e que choraram por horas e as vezes todas as manhãs por vários dias, mas que depois disso, conseguiam clarear os pensamentos e voltar a funcionar muito melhor do que antes, com mais clareza, leveza e criatividade. Nós tendemos a menosprezar o tamanho da dor das crianças, pois não tivemos espaço para chorar nossas dores. Além do Ficar Escutando, essa teoria propões duas outras coisas: 1- Parceiros de Escuta, que são duplas de adultos que semanalmente se escutam, até construirem uma relação de segurança na qual possam chorar um para o outro e assim liberar espaço emocional para estar com as crianças, e 2- Momento Especial: o adulto nomeia para a criança “Agora é hora do seu Momento Especial. Eu tenho X minutos (5, 10, 15) e estou aqui para fazer o que você quiser. Aí é deixar a criança tomas as rédeas e seguir os comandos dela, sem interrupção de celular, email, outros adultos ou crianças. Colocar todo o seu amor e conexão nessa relação. Isso cria uma confiança enorme e possibilita que a criança traga temas importantes para ela. Para responder sua última pergunta, a Patty Wipfler que criou esse programa que estou fazendo diz, que no momento em que a criança perde a conexão, não adianta ficar nomeando os sentimentos, pois isso tira a possibilidade dela sentir e joga novamente para o pensar (muito mais comum em nossa sociedade). Faz sentido? Beijos e obrigado pela oportunidade de reflexão.

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  9. Malu Machado
    Malu Machado says:

    Olá Marcelo. Gostei muito do seu texto. Quando engravidei do meu filho (hoje ele tem 9 anos), ganhei e presente um desses best selleres do tema: Como criar meninos. O livro, me surpreendeu positivamente, justamente porque fala do que você escreve: ouvir, refletir juntos, deixar a criança organizar seus pensamentos e encontrar suas soluções. Infelizmente, na prática, nem sempre dá certo. Mas acredito que seja realmente este o caminho. Mesmo que as respostas não surjam na hora, mesmo que meu filho não consiga organizar seus pensamentos naquele momento. O importante é ele saber que eu estou ali. Pronta para apoiá-lo. Parabéns pela página.

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