Filhos e a Potência de Vida

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Hoje minha filha faz 5 anos. Ontem eu e minha esposa ficamos lembrando do nascimento e contando para ela como foi.

Na noite que rompeu a bolsa, minha esposa estava com tanta energia que depois de quase 8 meses sem ir para a cozinha, fez um banquete. Fomos ver uma comédia ridícula e foi então que tudo começou. O rompimento da bolsa, as contrações, a ligação para o obstetra que nos apoiou a cada instante durante o parto natural (coisa rara). Obrigado João Carlos.

Luna nasceu de cócoras na cama do hospital dentro do quarto. As enfermeiras estavam em polvorosa. Ficamos sabendo que a maioria delas nunca tinha visto um parto natural, muito menos dentro do quarto. Viramos história na cidade quando o pediatra, outro querido Dr. João contou na rádio pública sobre nosso parto, nossas escolhas.

Hoje vimos fotos dos primeiros dias de vida da Luna. Percebi meu olhar embasbacado. Era um olhar de muita expectativa, de muita projeção. Eu via aquela “fofurinha” e não via o ser pleno em condições de experimentar o mundo e se auto-criar na medida em que eu proporcionasse um ambiente relaxado e preparado.

Naquela época ainda me via com o papel de mentor e não de criador de ambientes seguros e adaptados às suas necessidades. Queria que ela falasse cedo para poder ter altas conversas. Não entendia o ritmo natural ou o ritmo de vida.

Foi mais tarde, quando encontrei com minha amiga Patricia Sogayar e entrei no mundo da Educação Ativa, da Desescolarização, da Comunicação Não-Violenta e da Conexão Pais e Filhos que comecei uma jornada pessoal de transformação.

É uma jornada que tem me afastado do medo da vida e da vontade de controlá-la, para me aproximar da confiança na vida e da vontade de experimentá-la. Essa jornada não tem nada de linear. É espiral que sobe-desce, zigzagueia, pula e se arrasta. E é boa demais, com tudo que traz.

Luna, obrigado por expandir minha vida, minha potência. Meu presente pra você é minha busca para ser atravessado por forças potentes. Quero ajudar a criar e compartilhar de ambientes que sirvam a vida: a sua, a minha, das outras pessoas, animais, plantas, enfim, de tudo o que chamamos de natureza.

Que nossos encontros potencializem a vida!

2 respostas
  1. Joana
    Joana says:

    Olá Marcelo, tudo bem? Na segunda-feira encontrei seu blog enquanto pesquisava sobre o estabelecimento de limites para crianças de 0 a 4 anos. Eu procurava artigos para montar uma palestra sobre o tema e li, de lá pra cá, todos os seus textos. Fiquei fascinada com os relatos. É um novo meio de criar os filhos e deve ser expandido para o maior número de pessoas. Tenho uma dúvida, talvez você até tenha comentado em algum dos seus escritos, estabelecido o limite de forma clara e acolhedora, a criança não consegue cumprí-lo, ou o cumpre em partes. Ou melhor, a criança quebra alguma regra da casa, o que fazer para reverter a situação? Sancionar? Penso também nas crianças mais velhas, acima dos 8 anos, que muitas vezes são desafiadoras tanta em casa como na escola. Espero ter sido clara em minha colocação, aguardo sua resposta!! Um grande abraço!

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