3 Reflexões Sobre O Lindo (e difícil) Trabalho de Criar Filhos

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Setenta pais, mães e avós estão participando do primeiro curso on-line “Melhorando a Conexão Entre Pais e Filhos” que iniciei recentemente.  Resolvi compartilhar com vocês alguns depoimentos dos pais (em Itálico) e algumas  reflexões que fiz ao longo dessas últimas semanas. Acredito, mais do que nunca, que precisamos criar uma comunidade de apoio a pais, mães, avós, cuidadores e educadores. O trabalho de criar uma criança é profundamente emocional e faz com que confrontemos emoções nossas que estão presas há muito tempo. 

Ajudar os filhos a extravasar emoções não é fácil, mas o que acontece é maravilhoso: “Enfim, após assistir o video tema deste curso, fui colocar em prática o aprendizado e no dia seguinte precisei coloca um limite a ele. O choro veio, longo, muito sonoro e muito angustiado… E foi no segundo que eu me abaixei, falei com ele e OLHEI para ele, que percebi completamente outra tolerância com aquele choro, não fui distraí-lo, mas aguentei com ele e sofri junto, a dor dele e a minha…. ele chorou muito, e eu fiquei com ele…. após isso ele voltou a sorrir como há tempos não víamos…, como há tempos eu não via. O sorriso que ele dá com os olhos! E eu percebi que fazia tempo que não olhava meu filho nos olhos…”

Esse é um trabalho em nós e não nas crianças: Uma mãe relatou: “Já comecei a me perceber na relação conflituosa que tenho com meu filho quanta falta de conexão, fluxos interrompidos e choros solitários… Aff! Que triste! Obrigada por dizer que nunca é tarde pra mudar. O tanto de desconexão entre nós está relacionado diretamente com sentimentos e emoções que tenho e que são bem difíceis de entrar em contato!” 

Quando éramos crianças não tivemos nossas emoções respeitadas. A maioria dos adultos, com a melhor das intenções, fez de tudo para interrompermos nossos fluxos emocionais, como choros e chiliques. E hoje, ao lidarmos com nossos filhos, temos dificuldade de respeitar o processo natural que eles tem de lidar com as emoções ou de colocá-las para fluir, como diria Ana Thomaz. Por isso, precisamos encontrar práticas que nos permitam chorar, gritar, tremer, suar para que as emoções que estão estagnadas em nós possam fluir e assim abrirmos espaço para ouvirmos as emoções de nossos filhos.

Nossa sociedade criou estruturas para cuidar das crianças que muitas vezes atrapalham:  “Semana que vem começo o desfralde da minha filha mais nova (1 ano e 11 meses). Por mim esperaria mais um mês ou dois, pelo menos até completar 2 anos, mas por decisão da escola, vamos ter que começar agora já que somente ela e mais 2 crianças da sala ainda usam fraldas.”

Ao invés de entender a necessidade da criança, muitas instituições estão mais interessadas em como resolver os seus problemas. “Não podemos ficar trocando fraldas de 2 crianças enquanto todas as outras já tiraram. Os pais que se virem”

Além disso, muitos casais relatam como passam o dia todo fora, trabalhando e quando chegam em casa estão muito cansados e se sentem culpados ao tentar colocar limites. Portanto, acabam deixando seus filhos fazerem o que querem, sem entender que esse “fazer o que quer” muitas vezes é um pedido de ajuda. Se a criança pudesse expressar esse pedido, seria mais ou menos assim:  “Pai, preciso de re-conexão, preciso extravasar emoções que se acumularam durante o dia. Estou pedindo pra jogar mais 30 minutos de video-game do que o combinado, para você vir aqui e colocar um limite e assim eu vou poder extravasar as tristezas e frustrações que senti hoje na escola. Por favor, não me deixe jogando video-game, enquanto você fica aí largado assistindo novela!”

Quanto mais converso com pais e mães, mais certeza tenho de que estamos todos querendo o melhor para nossos filhos, estamos fazendo o possível. Ao mesmo tempo percebo a importância de se apoiar esse trabalho de ser pai e mãe, oferecendo mais informação sobre como as emoções das crianças funcionam, como ajudá-las a extravasar, como oferecer mais autonomia e como brincar de uma forma que respeite a criança e ajude em seu desenvolvimento e na re-descoberta do prazer de viver, especialmente para os adultos.

 

 

22 respostas
  1. Juliana
    Juliana says:

    Olá Marcelo,
    Há algum tempo que desejo escrever para me conectar com você, mas estive muito muito ocupada com a vida, trabalho filhos e família e agora estou internalizando várias coisas da minha vida, ainda quero escrever com mais tempo e cuidado, gostaria de dar minha opinião sobre alguns textos e sobre o ebook (como você inclusive pediu) e ainda vou fazê-los porque acho que você faz um trabalho importante e me identifico com a sua causa, numa vontade de ver crescerem seres com muito amor e respeito. Porém, a vida é uma loucura e no momento lhe escrevo porque estou tendo dificuldades de relacionamento com minha filha adolescente (que completará 13 anos agora em maio), até porque estou percebendo que muitos ou todos os problemas estão em mim e eu gostaria de saber se você me sugere alguma leitura para enfrentar esta etapa de amadurecimento com ela e melhorando em mim as minhas respostas e atitudes com relação a esta minha querida filha… Muito Obrigada.

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  2. Rochelle Miranda
    Rochelle Miranda says:

    Para mim está sendo impressionante, como estou conseguindo manter a calma quando meu filho de 2 anos e 5 meses chora. O choro é muito alto e intenso, mas quando passa ele fica ótimo. Antes eu ficava desesperada e muito nervosa tentando mil coisas pra ele parar e nada funcionava! Grata Rochelle

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  3. clarissa menezes homsi
    clarissa menezes homsi says:

    Oi Marcelo, por alguma razao nao to recebendo mais os posts por email. Tentei recadastrar mas nao consegui por já estar cadastrada. Vc sabe como resolver isso? Tb te mandei uma msg por email há um tempo. nao sei se recebeu. Beijao e obrigada!

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    • conexaopaisefilhos
      conexaopaisefilhos says:

      Oi Clarissa, tudo bem? Verifiquei o sistema que envia email e consta que foi enviado um email ontem para você avisando do novo texto. Você pode verificar se caiu em uma caixa de SPAM, por favor? Vi seu email sim, mas estava tão corrido com o curso que não consegui responder. Já responderei. Beijos!

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  4. Sara
    Sara says:

    Olá… estamos tentando ter uma conexão mais positiva com nossa filhota de 3a7m e tem sido muito recompensador… por acaso podemos ter acesso ao referido vídeo???? Obrigada

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    • conexaopaisefilhos
      conexaopaisefilhos says:

      Oi Sara, o video faz parte de um curso que ofereço online. Essa turma já está quase terminando. Em abril teremos novidades. Cadastre-se aqui no site e lá na página do facebook (www.facebook.com/conexaopaisefilhos) para saber de tudo o que vai acontecer em primeira mão! Abraços.

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  5. Rodrigo Vieira
    Rodrigo Vieira says:

    Olá, estou adorando ler o blog, participei do social good lab contigo (Co-Lecione) e como sou pai de primeira viagem (o nenem nasce em agosto) queria saber se você recomenda algum material sobre conexão e emoções desde o momento que a criança nasce (ou até antes!), adoraria poder começar com o pé direito ao invés de ter que remediar depois! Abraços pra você e pro Márcio e parabéns pelo sucesso desse belo projeto!

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    • conexaopaisefilhos
      conexaopaisefilhos says:

      Oi Manuela, a criança tem uma capacidade inata de extravasar emoções. É um mecanismo biológico natural que acontece através do choro, da gargalhada, do tremer, do suor. Portanto, é importante desde a hora em que nascemos. O que acontece é que a maioria dos adultos não sabe que isso é um mecanismo natural e benéfico e desde cedo começa a fazer com que a criança pare de usa-lo, por exemplo: “Não foi nada, não precisa chorar” é uma frase que ouvimos muito. Na verdade, o correto seria, “pode chorar a vontade, estou aqui contigo” pois dessa maneira a criança consegue extravasar sua frustração ou sua raiva de ter batido com a cabeça na mesa. Obrigado por acompanhar nosso trabalho!

      Responder
  6. Fernanda
    Fernanda says:

    Oi Marcelo, que legal o curso e os depoimentos.
    Mas fiquei
    Chocada com a história da escola obrigar a tirar a fralda.
    Na minha trajetória nunca vi isso acontecer.
    Vejo em geral a escola sugerindo esperar mais ou sugerindo que a criança esteja pronta mas respeitando a família.
    Espero que essa família mude de escola se puder, um
    Desfralde mal feito, antes da hora, é muito problemático.
    Beijos e oarabens

    Responder
    • conexaopaisefilhos
      conexaopaisefilhos says:

      Inacreditável né Fernanda? Eu acho que é mais comum do que imaginamos. Temos sorte de estarmos em contato com escolas que pensam diferente! Beijão.

      Responder
  7. Natalie Catuogno Consani
    Natalie Catuogno Consani says:

    redescoberta do prazer de viver. é bem isso mesmo. estou sorrindo aqui, pq, numa frase, vc resumiu um post enorme que escrevi lá no blog dia desses. 😉 tenho sentido bem isso.
    acho que esse prazer, para nós, pais, é resultado da entrada em contato com tantas emoções que aprendemos a guardar e também tem a ver, pelo menos pra mim, com a observação do prazer dos filhos. a vida deles acontece mesmo no presente e eles absorvem tudo com entusiamo, guiados pelo que eles querem fazer de fato. isso é ensinamento e tanto para os adultos.

    abraços

    Responder
  8. Rô
    says:

    Tenho sentido tanto essa necessidade no meu filho de extravasar. Ele começou na escola há pouco menos de um mês e sempre que ele demonstra essa necessidade fico me questionando se fiz a melhor escolha, se ele está ficando bem na escola ou se esse choro acumulado é um indicativo que algo vai muito mal. Ai entra a culpa, entra o medo de estar fazendo ele sofrer demais… entra tanta coisa, né?
    E com tantos sentimentos meus envolvidos, não consigo me sentir inteira para acolher o choro dele. Muitas vezes eu e meu marido acabamos piorando a situação entrando na onda, e perdidos também sem saber como extravasar as nossas emoções.

    Obrigada por esse post, foi ele que me fez perceber isso. E uma vontade imensa de chorar me tomou…

    Como funciona esse curso?

    Responder
    • conexaopaisefilhos
      conexaopaisefilhos says:

      Oi Rô. Obrigado pelo depoimento. A ida para escola traz sentimentos que precisam ser extravasados e na maioria das vezes não há espaço para esse extravasar na própria escola, pois as cuidadoras precisam prestar atenção em muitas crianças e quando uma precisa extravasar, a tendência é “resolver” logo o “problema” do choro para poder voltar a cuidar de toma a turma. Então sobra para os pais fazerem esse trabalho em casa. Sua casa é onde seu filho se sente protegido, seguro para expressar os sentimentos dele. Então ele vai buscar formas de te pedir ajuda. Se você conseguir perceber os sinais, poderá muito cedo colocar limites claros e carinhosos e ajuda-lo a chorar, ficando do lado dele, enquanto extravasa. O curso ensina como fazer isso, porém já estamos na 3a de 4 aulas. Cadastre-se aqui no site e lá na página do facebook (www.facebook.com/conexaopaisefilhos) para receber informações do próximo curso. Tenho certeza que você e seu marido estão fazendo o melhor que podem. Não há nada de errado com vocês ou com seu filho. Vocês, assim como todos nós, pais e mães, só precisamos de mais apoio. Abraços.

      Responder
    • conexaopaisefilhos
      conexaopaisefilhos says:

      Oi Alena, tudo bem? O curso é on-line, mas já estamos na 3a de 4 aulas. Fique conectada aqui no blog ou lá na página do facebook facebook.com/conexaopaisefilhos para receber notícias do próximo curso. Abraços!

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