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O “NÃÃÃOOOOO” nem sempre funciona

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(Esse texto foi escrito por uma leitora do blog, a Fernanda Gabriela Rodrigues e acredito que ilustra muito bem uma situação de como colocar limites. Nesse caso, o limite não tinha objetivo de ajudar o filho a extravasar como eu sugiro nos textos sobre Educação por Conexão. Esse foi um limite mais parecido com o proposto pela Educação Ativa visando simplesmente delimitar o universo de opções para a criança. Boa leitura e abraços, Marcelo Michelsohn)

Depois de escutar muito tempo a mesma palavra pode ser que paramos de processar seu real significado. Mesmo falando 30 “nãos” em um minuto para o meu filho ele ignora. E sabe o pior? Isso é normal! Acho que até eu ignoraria na situação dele.

Não é incomum uma criança de um ano e três meses abrir portas de armário ou batucar em objetos. Desde que cheguei em casa com esse objeto de plástico para travar portas o Otto ficou curioso (não travo todas as portas, apenas as com produtos de limpeza).

Algumas vezes ele brincou com a trava enquanto eu arrumava o armário, então já conhecia o objeto. Mas ele queria brincar com a bendita trava enquanto ela cumpria sua função de travar as portas.

Dessa vez eu não gritei um sonoro “NÃO MEXE AÍ” nem chamei a atenção dele em tom de desaprovação, ou simplesmente o tirei de lá. Eu me abaixei na altura dele, olhei nos olhos enquanto colocava minha mão em cima da trava e disse calma e tranquila: “a gente não mexe aqui”. Para minha surpresa deu certo! Não sei se foi a sorte dele prestar atenção no momento em que falei com ele ou o que aconteceu. Ele simplesmente saiu e foi brincar com algum de seus brinquedos espalhados pela casa.

Crianças são curiosas e não adianta argumentar muito ou mudar o tom de voz, elas sempre vão ficar curiosas com tomadas. A final, a descoberta do mundo começa de baixo para cima, como diz minha sogra (ela é pediatra).

Repreender, mesmo com coisas pequenas do dia a dia como fazer sujeira enquanto come, não é uma forma saudável de ajudar no desenvolvimento do seu filho. Aliás, como minha sogra diz “é ótimo que a criança crie essa relação de tato com a comida”.

É normal ficarmos nervosos quando as crianças não obedecem. Nos sentimos impotentes quando eles não fazem o que queremos. Mas será que precisamos controlá-los ou ser permissivos? Acho que dá para tentar diferente. Nossos filhos confiam em nós naturalmente e sabem quando estamos alterados emocionalmente.

Tem me parecido cada vez melhor essa alternativa de me acalmar primeiro para que ele entenda realmente o que estou dizendo sem que eu precise alterar o tom de voz.

As crianças são mais inteligentes do que pensamos. Não acredito num adestramento ou condicionamento para criar boas pessoas. Assim criamos bons seguidores e péssimos pensadores críticos, livres e donos das próprias escolhas.

Não é fácil largar certos hábitos que são, muitas vezes, reflexos da nossa própria criação. Mas vale a pena tentar.

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