Limite na Hora de Trocar a Roupa

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(Esse texto foi escrito pela Juliana Tonsmann e mostra na prática a importância de percebermos quando nossos filhos estão pedindo ajuda para extravasar emoções estagnadas e voltar a fluírem bem, experimentando o mundo e as relações da melhor maneira possível. Juliana teve a presença para escutar o filho e colocar o limite com carinho, sem querer ensina-lo ou educa-lo.)

Limite na Hora de Trocar de Roupa

Estou aprendendo sempre com meu filho. E sou grata por ele me dar essas oportunidades de aprendizado, especialmente a como ter mais paciência.

Conheci a Criação com Conexão no Grupo Conexão Pais e Filhos. É uma forma de criação que trás a empatia à tona. O respeito pelo outro e por si. O amor nos olhos, nos gestos e na escuta. O limite simples. Permitir extravasar as emoções, aquelas do dia, de ontem, de muito tempo. Colocar pra fora no choro ou no riso tudo aquilo que está no coração. E dar apoio, ficar ali ao lado escutando, aceitando e sentindo um amor enorme.

Ontem foi um dia de extravasar do meu filho, que está com 1 ano e 9 meses. Fazia tempo que isso não acontecia. Não por não precisar mas sim porque meu canal de conexão estava bloqueado. Extravasar, significa colocar para fora emoções e sentimentos que estavam estagnados dentro dele, como raiva, medo, tristeza.

Meu marido está viajando. Nos últimos dias eu e meu filho estamos mais cansados.

Então ontem quando ele acordou e me chamou no quarto, segui nosso ritual. Subi na caminha dele pra dar bom dia, beijos e perguntar se dormiu bem.

Ele sentou na cama bem bravo, colocou os braços pra frente, fechou as mãos e tremeu o corpo inteiro de nervoso. Na hora tive a clareza que ele precisava colocar para fora alguma emoção.

Saímos do quarto. Mais uma vez na hora de tirar o pijama e a fralda, ele começou chorar e não aceitar.

Fomos até o quarto dele novamente. Eu fechei a porta e sentamos no chão.

O extravasar durou 90 minutos. Você pode estar pensando: “Quem tem esse tempo para ouvir o choro do filho?”. Bom, não é sempre que consigo esse tempo, mas nesse dia eu estava disposta, descansada e pronta para fazer o que fosse preciso para ajuda-lo. Durante o tempo que ele ficou chorando eu repetia duas frases de maneira bem esporádica. Uma era “vamos trocar de roupa e tirar a fralda”. E a outra era:  “estou aqui do seu lado”.

Mantive a calma. Era um alívio olhar meu filho se livrando de suas dores, colocando tudo pra fora. Tive dúvida em poucos momentos. “Será que estou fazendo certo? Será que isso está fazendo bem para ele. Me mantive ali.

Meu coração dói muito quando lembro que ao olhar pra ele e dizer que estava ao seu lado, ele chorava muito, muito, fazia uma expressão de dor e dizia: não mamãe, não! Deu tanto medo de que meu filho não acredite que estou ao lado dele…difícil até de falar isso.

Eu já sabia que essas dúvidas poderiam vir pois fui criada em uma cultura na qual o choro é visto como algo ruim, que precisa ser abafado. Hoje sei que uma criança que tem seu choro escutado por um adulto carinhoso e presente, consegue liberar logo o que está fazendo mal, e partir para outra, encarando o mundo de peito aberto.

Bom, ainda acho que não saiu tudo que precisava sair. Parece que faltou um pouco. Mas sei que terei outras oportunidades para ajuda-lo a extravasar mais um pouco.

Durante o extravasar, ele não aceitava olhar nos meus olhos. Quando ele olhava, vinha o choro também. Eu já sabia que isso é muito comum. Tente olhar nos olhos dos seus filhos. Quando eles estão se sentindo seguros, conectados, vão olhar tranquilamente, caso contrário vão evitar a todo custo.

Depois desses 90 minutos, ele começou a se acalmar, seu que eu precisasse pega-lo no colo ou o distraísse. Então eu falei pra ele colocar a roupa e ele aceitou. Riu da roupa que colocou (achava que era de pirata). E fomos brincar.

Brincamos bastante. Na brincadeira parecia extravasar também. Rindo, chutando a água, correndo na grama. É impressionante pensar que uma criança que estava chorando por tanto tempo, agora estava sorrindo e querendo brincar comigo. Mas é isso mesmo que a Criação com Conexão diz: quando escutamos o choro dos nossos filhos, as emoções ruins saem, e nosso amor entra.

Ele ficou mais calmo no restante do dia e acordou bem melhor hoje.

Vamos seguindo!

 

(O Grupo Conexão Pais e Filhos é um espaço de encontros virtuais semanais para mães e pais, facilitado pelo Marcelo Michelsohn. Além das vídeo-conferências você poderá interagir com centenas de pessoas através de um grupo exclusivo no facebook. Para participar do grupo é preciso fazer uma contribuição mensal de acordo com suas possibilidades e com o valor que enxerga no grupo. Para maiores informações clique AQUI. Para pedir seu acesso ao grupo clique AQUI.

Se você quiser contribuir com algum texto relacionado à Criação com Conexão, escreva para marcelo@conexaopaisefilhos.com)

 

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