Momento Especial com Minha Filha: Conexão e Alegria de Viver

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(Esse texto foi escrito pela Carolina Porto que participa do Grupo Conexão Pais e Filhos. Ela relata como utilizou uma das práticas da Criação com Conexão, chamada Momento Especial. É uma prática que aumenta muito a conexão entre mães e filhas(os) e cria momentos mágicos como o relatado abaixo.)

Momento Especial com Minha Filha: Conexão e Alegria de Viver

Quero contar aqui o primeiro Momento Especial com minha filha que vai fazer 7 anos. Sei que foi muito bom mesmo, para nós duas.

Cheguei em casa a noite do trabalho e disse que a partir de agora teríamos um momento especial para estar as duas juntas e ela poderia escolher o que quisesse para fazermos. Ela escolheu que íamos sair para caminhar aqui onde moro e disse que me levaria para conhecer um parquinho que tem aqui por perto. Além disso, quis que nossa cachorra Jolie (filhote de 3 meses) também estivesse e lá fomos nós.

Eu procurei ficar em silêncio observando e admirando minha filha, sem julgar, sem dar qualquer conselho, sem avisar para tomar cuidado pra não pisar nas enormes poças d’água, sem tentar controlar nada, simplesmente deixar que ela estivesse na liderança, que se expressa-se de forma espontânea.

Percebi o quanto fez diferença essa qualidade de atenção, uma atenção sem dirigir as coisas, sem querer ensinar nada, uma atenção com presença, empatia e confiança. Ela caminhava na minha frente com uma lanterna e ia ‘trotando’, com aquele jeito de andar de quando somos crianças e estamos felizes (aqui as ruas são de terra e com pouca iluminação a noite).

A cachorra corria com ela e depois parava para me esperar. Eu comecei a sentir vontade de trotar com ela e senti meu corpo leve, senti o gosto de minha infância. Ela ia na frente sorrindo e dizia: “Eu estou caminhando na frente e eu tenho orgulho disso, eu vou levar minha mãe pra brincar”… Eu alcancei ela e nós rimos juntas.

Ela me falava de como era bom aquele lugar; ia me falando sobre o caminho, as casas, os lugares onde haviam outros cachorros.

Quando estávamos mais próximas uns cachorros apareceram e atacaram a Jolie, nossa filhote. Gritamos e eles foram embora. Foi apenas um susto, não morderam pra valer.

Ela se sentia confiante e corajosa e eu me sentia tranquila também, muito bem em vê-la com autonomia e energia.

Chegamos ao parquinho e havia um balanço grande de madeira onde pudemos sentar as duas juntas (eu adorei isso), ela chegou bem pertinho e disse que estava gostando muito do nosso momento especial. Eu também disse a ela o quanto estava feliz.

Balançamos juntas, ela dançou, cantou, pulou, vimos muitos vaga-lumes, ela me ensinou suas formas de balançar e me mostrou coisas que gostava de fazer ali. Contemplei seu corpo de menina, sua agilidade e sua força vital. Depois voltamos para casa e eu via em seus olhos o quanto estava segura e confiante.

Senti muita vontade de estar mais presente, trabalhar menos, tornar a vida mais simples, e senti também que tudo está bem mesmo com certas dificuldades, mesmo com muito trabalho, mesmo com dores de outrora, senti aquela leveza de saber que faço o que posso e isso é tudo.

A hora de dormir foi muito mais tranquila, como não costuma ser (sempre tem uma resistência em querer ir pra cama e muitas vezes demora para relaxar e pegar no sono, mas essa já é uma outra história que depois eu venho compartilhar).

O momento especial foi muito importante para nossa conexão e realmente faz todo sentido, assim como as demais práticas que venho aprendendo aqui no Grupo Conexão Pais e Filhos e que desejo aprender sempre. Gratidão foi o que senti naquele momento e é o que estou sentindo agora.

 (Carolina Porto, 30 anos, mãe da Lena Maria de 6 anos, companheira do Matheus Marchesini das Neves, moradora de Ubatuba. Psicóloga, educadora, estudante de pedagogia, sempre aprendiz, metida a atriz, brincante no tempo livre e nos momentos especiais.)

5 respostas
  1. Vanessa Lavinas
    Vanessa Lavinas says:

    Lendo esta passagem de vcs, fecho os olhos e consigo ver a sua linda correndo cerelepe pelas russ, rodopiando, cantando. Bem a carinha da Lena. Q momento mágico, que domente nós mães e pais, podemos entender essa complexa simplicidade. Saudades!

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  2. Alex
    Alex says:

    Muito bonito o relato.

    É fundamental ter esse tempo com os filhos, com qualidade de atenção, relaxamento, e a possibilidade da criança liderar e conduzir o momento; mas me pego às vezes pensando que esse monte de “conceitualizações” da nossa vida moderna acaba tirando um pouco a espontaneidade das coisas…Momentos especiais podem acontecer a qualquer e todo momento com nossos filhos; basta que haja convivência e atenção. Essa proposta de criar um momento com hora marcada me parece consequência de uma vida compartimentalizada, onde os pais e os filhos ficam “separados” o dia todo, e quando se encontram precisa haver esse tipo de dinâmica para criar conexão.

    Só uma reflexão.

    Parabéns pelo Blog e pelo trabalho!

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    • conexaopaisefilhos
      conexaopaisefilhos says:

      Perfeito Alex. A Patty Wipfler, que criou essa prática, diz que ela seria desnecessária em uma sociedade que valoriza o trabalho de mães e pais. Ela fala que é apenas uma estratégia de re-conexão em tempos de extrema desconexão. Meu objetivo ao difundir esse tipo de ideia é fazer as pessoas terem esse tipo de reflexão: “mas é preciso marcar hora pra ter momento especial? parece que da forma como estamos vivendo, sim. e se transformássemos a nossa vida?”. Muito obrigado pelas suas palavras!

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  3. Lívia
    Lívia says:

    Carolina,
    Que relato lindo!Tenho uma pergunta off topic para fazer: como é morar em Ubatuba e região? é bom para crianças os filhos? Eu e meu noivo estamos pensando em morar em Santos porque irei tentar um doutorado lá e ele trabalha em SP. Pra ele será bem desgastante ficar andando de fretado todo dia, porém ele está animado se for pra termos melhor qualidade de vida e principlamente proporcionar melhor qualidade de vida para nossos filhos! A região litorânea realmente é melhor que SP em termos de qualidade de vida?
    Obrigada!
    Lívia

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  4. Nara
    Nara says:

    Lindo de viver! Seu relato me emocionou e me deu ainda mais vontade de experimentar com meu filho, que tem 9 meses!
    Penso que isso é viver e apropriar – se de nossa natureza.
    Grata tbm aqui por compartilhar com a gente

    Responder

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