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O Direito de Não Sorrir

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(Esse texto foi escrito por Paula Kotaki. É um lindo exemplo de como podemos afirmar a singularidade de nossos filhos, frente a demandas de outros adultos que nos cercam. Paula é participante do Grupo Conexão Pais e Filhos. Esse grupo se encontra semanalmente por video-conferência para conversar sobre temas relacionados a Criação com Conexão e Educação pela Potência. O grupo é inclusivo: cada um entra e sai a hora que quiser e contribui com quanto puder/quiser, desde que o valor seja acima de zero.)

O Direito de Não Sorrir

Hoje um episódio me fez pensar em como é realmente importante estarmos conectados com nossos filhos, sem nos importarmos tanto com o mundo a nosso volta e principalmente com o que as pessoas vão pensar. O fato se deu ao levar minha filha de 3 anos e meio pra tirar foto 3×4…

Minha filha nunca foi de sorrir nas fotos, mas isso nunca me incomodou, pois acredito que cada criança tem seu jeito de ser. Acho que, como eu era assim quando criança, consigo ter uma empatia com ela em relação a isso.

Acontece que no estúdio onde a levei, uma moça tirava a foto enquanto outra tentava fazê-la sorrir usando um fantoche pra fazer cócegas. Vendo que não conseguiam o que elas esperavam, ou seja, que minha filha desse risada, começaram a soltar aqueles comentários que, francamente, acho completamente desnecessários, como: ah ela é tímida, ah, mas você é muito séria, e a pior de todas: ih, ela não tem dentes…

Na hora eu pedi que elas parassem com as fotos, explicando que não era necessário força-la a sorrir e que já estava bom o tanto de fotos tiradas. Quiseram insistir, mas eu não deixei. Entendo que estavam tentando fazer seu trabalho, e talvez até pensando que eu gostaria de uma foto com sorriso, mas se eu tivesse visto um cuidado e respeito maior por parte delas, dando um tempo pra minha filha, eu teria esperado, até porque o tal estúdio era especializado (pelo menos se diz, em fotos de criança), mas pelo que eu vi, infelizmente só a parte comercial interessava ali.
Eu sempre fui contra rotular as crianças. Acredito que ao rotularmos ela passa a acreditar nesse rótulo, e leva isso pra vida. Ao rotularmos perdemos a chance de deixar a criança mostrar e dar seu melhor…

Quando comecei o texto dizendo que não importa o mundo, mas sim a nossa conexão com nossos filhos, é porque nesse episódio ficou muito claro pra mim que esse tipo de cena poderá acontecer em outros lugares e em outras situações, pois nós adultos temos essa mania de rotular as crianças e de querer que elas façam o que esperamos.

Além disso é muito difícil encontrar lugares, principalmente no mundo de hoje, onde as pessoas realmente se preocupem com o bem-estar da criança, que respeitem seu tempo, sua individualidade. Porém nós, pais, podemos estar presentes e conectados com nossos filhos resgatando-os dessas situações.

Naquele momento eu vi e senti que minha filha não estava curtindo aquilo tudo. Pra mim, a única coisa que importava era ela. E depois que comecei a fazer parte do Grupo Conexão Pais e Filhos passou a ficar cada vez mais clara a importância dessa conexão.

Escolhi a foto que ficou melhor, e ao sairmos de lá, eu agachei e falei pra minha filha: Sua foto ficou linda! … então ela sorriu pra mim e na sua inocência de criança pediu pra irmos comprar pipoca !

12 respostas
  1. Viviane
    Viviane says:

    Meu filho de 4 anos é uma criança muito educada, porém muito espontâneo e sincero. Nunca ficou a vontade em sorrir em fotos com estranhos. e eu não vejo nada de anormal nisso, aliás acho fofo a sinceridade dele. E nunca gostei de rótulos ou comparações , ele não precisa ser igual a ninguém. Só precisa ser criança.

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  2. Marina
    Marina says:

    Eu acho super importante que a criança aprenda desde cedo a ser simpática com quem a trata bem. Retribuir cortesia com cortesia é um valor que se ensina, e o gesto mais simples, porém grandioso, é o sorriso.

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    • Fernanda
      Fernanda says:

      Concordo que é importante a criança aprender a ser educada – cumprimentar, pedir licença, se desculpar quando necessário. Mas se não é natural para ela sorrir, ela tem o direito de não sorrir. Aliás, a pessoa pode ser gentil sem sorrir. As crianças não estão aí para agradar aos outros. Elas estão aí para ser, e têm tanto direito quanto nós de serem como são.

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  3. Rebeca
    Rebeca says:

    Não entendi. Os profissionais que deveriam adivinhar que o comportamento da criança não é comum, sabendo que crianças sorriem? Não acredito que seja despreparo ou desrespeito. Acredito na falta de comunicação. Quem deve ter paciência e educar para que crianças sejam o mínimo sociáveis são os pais. Não quem presta serviços e sejam obrigados a adivinhar… É só avisar as manias dos filhotes para os estranhos, pois isso não fere a ninguém. Ou já são crianças fruto da prepotência humana em querer ser aceitas com comportamentos incomuns, pois se acostumam com a ideia que ser diferente é mais bacana?

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    • Clarissa
      Clarissa says:

      Discordo da sua colocação, Rebeca. Como mãe de 3 crianças com personalidades muito diferentes, acho constrangedor insistir para que uma criança fale com um estranho (ou abrace, ou beije, ou acene). Permitir que a criança se expresse da maneira como é, na minha opinião, não significa que ela seja “fruto da prepotência humana”. Timidez não precisa ser explicada aos outros, não é uma patologia ou sinal de má-educação, é um traço natural que pode ser naturalmente extinto (ou não), sem colocar rótulos nem fazer preleções a respeito. Mesmo pq acho que, se uma mãe passar a justificar o comportamento do filho aos outros (“ah, ele é tímido”), isso pode se cristalizar na criança. Pode, tal como vc colocou, se tornar uma “mania”. Um pediatra uma vez me explicou: crianças são naturalmente muito olhadas por adultos e têm um instinto natural de desviar os olhos ao serem encaradas. É auto-preservação. Não tem nada de prepotência em permitir que uma criança exerça seu instinto de auto-preservação. Ainda mais numa sociedade que impõe padrões de comportamento e que solicita que crianças sejam “o mínimo sociáveis”.

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      • Jussiélli
        Jussiélli says:

        Perfeito! Minha filha mais velha não é de sorrir em fotos, não é muito “dada” com estranhos e leva um certo tempo para se acostumar e criar um laço com as pessoas. Isso é prepotência? Não! De forma alguma. É uma característica da personalidade dela e isso deve ser respeitado, ao contrário da menor que é muito mais cheia de sorrisos. Cada uma tem seu jeito de ser e o que importa é que elas se sintam bem e não agridam ninguém!

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    • Fernanda
      Fernanda says:

      Nossa, discordo que os pais devam educar as crianças para que sejam sociáveis. As crianças são pessoas, como os adultos. Algumas serão mais sociáveis, outras não. Algumas serão extrovertidas, outras serão introspectivas ou caseiras. Cada uma delas terá essas e outras características funcionando em conjunto. A criança mais introspectiva pode ser super focada e criativa, por exemplo, e essas serem características que se dão em conjunto, e ela precise de uma para ter as outras. Cabe a nós adultos percebermos nossos filhos e dar a eles o direito de serem quem são.

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  4. Cariny
    Cariny says:

    AHAHAHA queria poder anexar a foto do meu filho do meio aqui, uma vez que fui fazer a 3×4 dele! Suuper fechado, também não quis sorrir, e eu ainda tive que dá uma de grossa pro fotógrafo que começou a constrangi-lo…

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