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Que alegria! Meu Pai Compartilhou um Artigo Sobre a Importância do Brincar!!!

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Meu pai compartilhou comigo um artigo do professor Carlos Neto da Faculdade de Motricidade Humana em Lisboa, e pediu minha opinião. Tenho tentado cada vez mais dar opiniões de acordo com minhas práticas e não a partir de teorias que li ou ouvi em algum lugar.

O artigo fala, entre outras coisas, sobre a falta de tempo e espaço para as crianças brincarem. O excesso de tempo sentados em sala de aula e a quantidade de lição de casa quando chegam da escola. Fala também da dificuldade dos pais em brincarem livremente com os filhos, sem tantos medos.

Achei muito legal o fato do meu pai estar prestando atenção a essas coisas. Senti o email dele como uma forma carinhosa de dizer: “estou começando a entender suas escolhas de vida, a forma como você, sua esposa e seus filhos escolhem passar o tempo.”

Hoje tenho clareza que minhas escolhas de vida (mudar para o interior, ter um trabalho flexível que me permita estar com as crianças, não ter televisão em casa entre coisas) não são alternativas ou reações à forma como eu fui criado ou como a maioria das famílias criam seus filhos atualmente.  Confesso que comecei esse caminho como uma reação sim, uma espécie de rebeldia pós-adolescente, mas hoje sei que é uma escolha nova, um caminho novo, sendo construído e modificado a cada dia. Não sigo uma receita de como ser alternativo, ou como ser contra-cultural. Não me afiliei e nem criei grupos ativistas que pregam uma nova forma de viver. O que tenho feito é experimentar na prática essa nova forma de vida que se baseia na constante auto-criação.

Segue abaixo a resposta que escrevi para o meu pai. Se você quiser ler o artigo completo antes (7 minutos) o link é esse: http://observador.pt/especiais/estamos-a-criar-criancas-totos-de-uma-imaturidade-inacreditavel/

“Pai, o diagnóstico é muito bom, mas as propostas seguem sempre o mesmo caminho de tentar melhorar um pouco o que está ruim, ao invés de transformar.

Não adianta falar que é preciso aumentar um pouco o recreio, colocar grama nos parques ou dizer aos pais que brinquem com seus filhos, se os pais, avós, educadores e políticos continuam investindo em uma cultura que dá mais valor para o acúmulo de dinheiro, posses, fama e sucesso, do que para passar tempo juntos.

Brincar com os filhos não traz novos clientes, não melhora a apresentação do powerpoint para o chefe, não é produtivo, não gera capital nem elogios. Sim, gera autonomia, alegria, amor, criatividade e conexão.

Na maioria das vezes, os pais que escolhem estar mais tempo com os filhos, ou que escolhem colocar os filhos em situações onde possam brincar mais livremente em contato com a natureza e com outras crianças sem um adulto por perto interferindo, são criticados.

A minha experiência é que estar mais tempo com os filhos não impede que se ganhe dinheiro e se viva uma boa vida. Além disso, percebo na prática que as crianças que brincam o dia todo tem uma avidez e uma capacidade enorme para aprender o que realmente interessa a elas. Beijos, Marcelo.”

10 respostas
  1. Nena
    Nena says:

    Marcelo, não sei se vou conseguir acessar sua resposta por aqui então se puder encaminhar por e-mail te agradeço (studionenabarros@gmail.com)
    Gostaria de saber sobre encontros presenciais que possa auxiliar nessa presença de conexão consigo, com vida e com os filhos. Acredito que seja uma presença no aqui e no agora.

    Responder
  2. Angela
    Angela says:

    Marcelo! Adorei seu comentário sobre o texto. Por favor! Tenho interesse em saber como foi seu caminho para tomar essa decisão: “não ter televisão em casa”. Sempre me questiono sobre a presença deste utilitário aqui em casa! Aguardo! Gratidão, Angela.

    Responder
      • conexaopaisefilhos
        conexaopaisefilhos says:

        Oi Angela, desculpe a demora em responder. O caminho para essa decisão, assim como para todas as outras que tem se mantido em minha vida, não passa por uma análise racional dos prós e contras. Simplesmente chega uma hora que eu sinto que algo venceu, que não serve mais e aí eu posso decidir ouvir essa intuição e agir ou não. Nesse caso resolvi agir e além de não pagar mais TV a cabo há 7 anos, não tenho o aparelho há um ano e meio. Assistimos filmes ou no cinema ou num monitor de 23 polegadas. Abraço!

        Responder
        • Ana Lú
          Ana Lú says:

          Marcelo que legal, eu também eliminei a TV, na verdade ela foi se tornando menos costumeira menos costumeira até desaparecer das nossas vidas, não foi forçado foi assim sem planejar nem nada. Nunca fez diferença e meus filhos também nem se ligaram na falta dela.

          Responder
  3. Ronald
    Ronald says:

    Obrigado Marcelo por mencionar seu pai. Com certeza continuo a aprender coisas novas a cada dia. Seus comentários são pertinentes e importantes. Eles fazem a diferença.

    Responder
  4. Lucia Luckmann
    Lucia Luckmann says:

    Muito bom, Marcelo!
    Hoje, olhando para trás, vejo o quanto eu era mãe superprotetora, quantos Nãos as minhas filhas receberam para evitar que se machucassem em suas brincadeiras…
    Ainda bem que elas não têm traumas quanto a isso por terem se esquecido e lidam com as crianças bem diferente de mim!
    Adorei o artigo do Professor lusitano.
    E pelos comentários de seus compatriotas, lá como cá os problemas sao os mesmos.
    Que ótimas recordações eu tenho de minha infância , quando estudei em uma escola maravilhosa, onde tínhamos 2 horas de recreio, livres para brincadeiras, sem Nãos, já responsáveis pela beleza da escola, fruto de exemplos que observávamos todos os dias e que gostávamos de imitar.
    Os tempos são outros sim, mas vejo que entre o 8 e o 80 existe o meio termo. Podemos então continuar mostrando bom senso na educação das crianças e respeitando o que é moderno, interessa às crianças e que também não podemos negar a elas o acesso!
    Educar é difícil, todos dizem, mas pode ser fácil também…
    Como?
    Observem o Marcelo e o resultado de sua forma de lidar com as dificuldades que as crianças apresentam no seu dia a dia!

    Responder
  5. Juliana
    Juliana says:

    Que lindo, Marcelo!
    É uma alegria perceber que eles, nossos pais, podem entender nossas escolhas, nossos caminhos, tenho conseguido ir um pouco nesse caminho também! quando vivenciamos a nossa verdade, não deixamos espaço para questionamentos…

    Responder

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