2236707066_b19320bca1 - menina seria

O Direito de Não Sorrir

(Esse texto foi escrito por Paula Kotaki. É um lindo exemplo de como podemos afirmar a singularidade de nossos filhos, frente a demandas de outros adultos que nos cercam. Paula é participante do Grupo Conexão Pais e Filhos. Esse grupo se encontra semanalmente por video-conferência para conversar sobre temas relacionados a Criação com Conexão e Educação pela Potência. O grupo é inclusivo: cada um entra e sai a hora que quiser e contribui com quanto puder/quiser, desde que o valor seja acima de zero.)

O Direito de Não Sorrir

Hoje um episódio me fez pensar em como é realmente importante estarmos conectados com nossos filhos, sem nos importarmos tanto com o mundo a nosso volta e principalmente com o que as pessoas vão pensar. O fato se deu ao levar minha filha de 3 anos e meio pra tirar foto 3×4… Leia mais

princesa no portão

O Prato Azul: ou a escuta do choro como prática de transformação

Cada vez entendo mais que os princípios, práticas e ferramentas que aprendo na Criação com Conexão ou em qualquer outra metodologia não devem servir para substituir antigos hábitos. Trocar um hábito por outro é tentar melhorar o que está ruim. O que quero é ser o criador da minha vida, da minha jornada. Então uso as práticas como pontes de passagem que ajudam a transformar minhas emoções e me possibilitar criar respostas inéditas a cada momento. Nesse texto, compartilho um exemplo de como estou fazendo isso. E te convido a criar seus próprios processos criativos para uma vida mais potente. Se quiser trocar ideias sobre isso e apoiar meu processo de desenvolvimento, experimente o Grupo Conexão Pais e Filhos.

O Prato Azul: ou a escuta do choro como prática de transformação

Hora do almoço em casa. Eu, minha esposa, dois filhos (uma menina de 5 e um menino de 3 anos) e um amigo nosso. Coloco os pratos na mesa e chamo as crianças para comer. Minha filha chega por último. Olha um prato com borda azul no lugar que estava sobrando, olha pra mim e diz em tom de reclamação: “Eu não quero esse prato!”. Eu escuto aquilo. Não sinto raiva nem fico chateado. Antigamente eu ficaria, pois teria certeza de que ela estava me desafiando. Sinto vontade de me aproximar dela e escutar com mais atenção para saber o que está por trás daquela fala, principalmente do tom que ela usou. Olho pra ela e digo calmamente: “Hoje vai ser esse prato”. Leia mais

conectados transformamos

Conectados Transformamos – Documentário Sobre o Conexão Pais e Filhos

Foi uma honra ter sido um dos 6 personagens desse documentário sobre como podemos usar a tecnologia para nos conectarmos com muitas pessoas ao redor de temas importantes para todos nós. Ele foi filmado em maio de 2014 em um momento de transição do Conexão Pais e Filhos. Em julho de 2014 lançamos o nosso Grupo Conexão Pais e Filhos incluindo princípios da economia da abundância e da organização em rede (mas isso fica para o próximo documentário!)

Pai e filho

Diálogo Imaginário Entre um Pai e Seu Filho Com Síndrome de Down

(Esse texto foi escrito pelo Guga Dorea, um pai que participa do Grupo Conexão Pais e Filhos. O texto mexeu muito comigo, e me fez refletir sobre como estou criando meus filhos. Fiquei me perguntando: Quando crio espaços para eles variarem, pra serem singulares, para estarem em fluxo? Obrigado Guga!”)

DIÁLOGO IMAGINÁRIO ENTRE UM PAI E SEU FILHO COM SÍNDROME DE DOWN

Por Guga Dorea

Quando o Thiago havia acabado de nascer escrevi esse diálogo imaginário ao refletir sobre qual é o olhar que nós pais, não deveríamos ter em relação à criança com a síndrome de Down ou outra das chamadas deficiências. Hoje ele está com 17 anos, tem a sua própria personalidade e, obviamente, algumas dificuldades, como todos nós.

Tenho notado, entretanto, que o diálogo criado por mim, naquele rico período do nascimento de meu filho, continua de pé em se tratando de nossa realidade. Como um pai que sempre olhou o filho e não a Síndrome ou o Cromossomo 21 a mais, optei por revê-lo e compartilhar com todos que vivem ou viverão o mesmo dilema, ou ainda com outras pessoas ou pais que não conseguiram superar preconceitos existentes dentro de nós mesmos.

Como deve ser a percepção de um bebê com a Síndrome de Down no momento em que ele veio ao mundo? Em um primeiro instante, pode até parecer irrelevante, e mesmo sem sentido, começarmos dessa forma um debate sobre a inclusão social nos dias de hoje, sobretudo porque quem discute e define quais são os melhores meios para atingir tal fim é o mundo adulto, supostamente consciente do que escolheu para os filhos em suas vidas cotidianas.

Mas como forma de exercitar a nossa imaginação, insistirei nessa reviravolta, propondo ao leitor que siga comigo em uma viagem por uma possível subjetividade e sensações de uma criança “Down” em seu primeiro contato imagético com o mundo de fora. Começo aqui um exercício de pensamento ou, como queiram um diálogo fictício, porém muito mais real do que podemos imaginar:

 

Bebê: Não estou compreendendo bem. As primeiras palavras que eu escutei foram: “que frustração, o filho dos meus sonhos, que tanto idealizei nesses noves meses de gestação, não veio? Não veio? Então quem sou eu? O que tem de errado comigo?

Pais: Ainda não sabemos, mas o problema é que daqui para frente teremos que super protegê-lo desse mundo que não o entenderá. Mas antes teremos que ter força suficiente para aceitá-lo de fato.

B: Nossa, não me darão nenhuma chance? Ou será que eu terei que ser outra pessoa para ser aceito? Acho que é isso. Vocês já estão dizendo qual é o caminho certo a ser seguido. Senão, terei que ficar aqui escondidinho e no máximo terei a solidariedade dos outros. No máximo, eles e vocês mesmos serão tolerantes com a minha possível demora em entender as coisas e me tratarão como um coitadinho que está se esforçando.

P: Nós seremos tolerantes sim, mas você terá que se superar e conseguir viver uma vida a mais normal possível.

B: Ah! Então para que eu seja aceito tenho que entrar no que vocês estão chamando de normalidade. Que vida é essa e como eu devo fazer?

P: É isso mesmo. Em toda a história da humanidade sempre houve a sua normalidade. É a regra do jogo. Quem não aceita essas regras é visto como negativamente diferente.

B: Porque diferente? Diferente em relação a quê e a quem? Existem então os meus iguais? Nesse mundo que eu estou chegando, cada pessoa só vive entre os seus iguais?

P: O que sabemos é que você não é igual a nós. É por isso que nós, pais, estaremos sempre correndo atrás do tempo, criando expectativas e não poucas vezes nos frustrando com o seu desempenho. Você não terá o mesmo tempo, a mesma velocidade e inteligência das crianças normais. Então, se quiser ser incluído deve se apressar para entrar no jogo e, se possível, ganhá-lo.

B: Agora estou começando a entender. Como vocês mesmo dizem, para que eu seja incluído tenho que ser o máximo possível igual a vocês. O difícil vai ser aprender a ser igual e não mais diferente de vocês. Só tenho uma perguntinha: vocês todos são iguais? Não há diferença alguma entre vocês? E se vocês já são normais e perfeitos, então não precisam mais mudar?

P: Boa pergunta. É que nós crescemos aprendendo que existe essa separação rígida entre as pessoas. Aí veio você que está do outro lado desse binômio e nos deixou atordoados, sem chão e sem saber o que fazer. E quanto mais velho você for mais difícil vai ser. A escola vai dizer que você não acompanha. Muitos vão dizer que você aprenderá mais em uma escola só para você. Isso porque nessa escola saberão como lidar com o seu problema e você estará entre seus iguais. Nosso medo é que você não avance e não mude e fique preso às suas raízes.

B: Não compreendi também o que é esse transformar que vocês estão falando. Mesmo não me normalizando como vocês desejam, tenho muito a ensinar para vocês. Tenho toda a minha cadência, meu ritmo, meus desejos, interesses, necessidades e dificuldades. Se vocês não me derem uma chance de mostrar a minha potência de vida e investir nela há grandes chances de minha existência se tornar muito triste, minha auto-estima pode cair muito e aí me tornarei mesmo um deficiente. Aí vocês dirão que a culpa é do defeito que vocês insistem em dizer que eu tenho. Tenho uma suavidade própria que pode gerar em vocês novas formas de conceber a existência e as relações de afetos e desejos. Eu não sou o vazio, o nada.

Momento Especial com Minha Filha: Conexão e Alegria de Viver

(Esse texto foi escrito pela Carolina Porto que participa do Grupo Conexão Pais e Filhos. Ela relata como utilizou uma das práticas da Criação com Conexão, chamada Momento Especial. É uma prática que aumenta muito a conexão entre mães e filhas(os) e cria momentos mágicos como o relatado abaixo.)

Momento Especial com Minha Filha: Conexão e Alegria de Viver

Quero contar aqui o primeiro Momento Especial com minha filha que vai fazer 7 anos. Sei que foi muito bom mesmo, para nós duas.

Cheguei em casa a noite do trabalho e disse que a partir de agora teríamos um momento especial para estar as duas juntas e ela poderia escolher o que quisesse para fazermos. Ela escolheu que íamos sair para caminhar aqui onde moro e disse que me levaria para conhecer um parquinho que tem aqui por perto. Além disso, quis que nossa cachorra Jolie (filhote de 3 meses) também estivesse e lá fomos nós.

Eu procurei ficar em silêncio observando e admirando minha filha, sem julgar, sem dar qualquer conselho, sem avisar para tomar cuidado pra não pisar nas enormes poças d’água, sem tentar controlar nada, simplesmente deixar que ela estivesse na liderança, que se expressa-se de forma espontânea.

Percebi o quanto fez diferença essa qualidade de atenção, uma atenção sem dirigir as coisas, sem querer ensinar nada, uma atenção com presença, empatia e confiança. Ela caminhava na minha frente com uma lanterna e ia ‘trotando’, com aquele jeito de andar de quando somos crianças e estamos felizes (aqui as ruas são de terra e com pouca iluminação a noite).

A cachorra corria com ela e depois parava para me esperar. Eu comecei a sentir vontade de trotar com ela e senti meu corpo leve, senti o gosto de minha infância. Ela ia na frente sorrindo e dizia: “Eu estou caminhando na frente e eu tenho orgulho disso, eu vou levar minha mãe pra brincar”… Eu alcancei ela e nós rimos juntas.

Ela me falava de como era bom aquele lugar; ia me falando sobre o caminho, as casas, os lugares onde haviam outros cachorros.

Quando estávamos mais próximas uns cachorros apareceram e atacaram a Jolie, nossa filhote. Gritamos e eles foram embora. Foi apenas um susto, não morderam pra valer.

Ela se sentia confiante e corajosa e eu me sentia tranquila também, muito bem em vê-la com autonomia e energia.

Chegamos ao parquinho e havia um balanço grande de madeira onde pudemos sentar as duas juntas (eu adorei isso), ela chegou bem pertinho e disse que estava gostando muito do nosso momento especial. Eu também disse a ela o quanto estava feliz.

Balançamos juntas, ela dançou, cantou, pulou, vimos muitos vaga-lumes, ela me ensinou suas formas de balançar e me mostrou coisas que gostava de fazer ali. Contemplei seu corpo de menina, sua agilidade e sua força vital. Depois voltamos para casa e eu via em seus olhos o quanto estava segura e confiante.

Senti muita vontade de estar mais presente, trabalhar menos, tornar a vida mais simples, e senti também que tudo está bem mesmo com certas dificuldades, mesmo com muito trabalho, mesmo com dores de outrora, senti aquela leveza de saber que faço o que posso e isso é tudo.

A hora de dormir foi muito mais tranquila, como não costuma ser (sempre tem uma resistência em querer ir pra cama e muitas vezes demora para relaxar e pegar no sono, mas essa já é uma outra história que depois eu venho compartilhar).

O momento especial foi muito importante para nossa conexão e realmente faz todo sentido, assim como as demais práticas que venho aprendendo aqui no Grupo Conexão Pais e Filhos e que desejo aprender sempre. Gratidão foi o que senti naquele momento e é o que estou sentindo agora.

 (Carolina Porto, 30 anos, mãe da Lena Maria de 6 anos, companheira do Matheus Marchesini das Neves, moradora de Ubatuba. Psicóloga, educadora, estudante de pedagogia, sempre aprendiz, metida a atriz, brincante no tempo livre e nos momentos especiais.)

Limite na Hora de Trocar a Roupa

(Esse texto foi escrito pela Juliana Tonsmann e mostra na prática a importância de percebermos quando nossos filhos estão pedindo ajuda para extravasar emoções estagnadas e voltar a fluírem bem, experimentando o mundo e as relações da melhor maneira possível. Juliana teve a presença para escutar o filho e colocar o limite com carinho, sem querer ensina-lo ou educa-lo.) Leia mais

Mentira

O Que Fazer Quando uma Criança Mente

(Essa é a tradução de um texto da Patty Wipfler, fundadora do Hand in Hand Parenting. Você pode ler o original clicando AQUI. Ele foi traduzido pela Luciana Paquet, que além de leitora do blog é tradutora profissional. Para conhecer o trabalho da Luciana, é só clicar no site dela: lucianapaquet.com . Boa leitura! Aguardo seus comentários ao final do texto. Você já teve experiência com crianças que mentem? O que fez? O que faria diferente depois de ler o texto?)

Pergunta: O que eu devo fazer quando meu filho de 5 anos mente? Ele é um menino brilhante. Atualmente, algumas das mentiras que ele tem contado são frutos da sua imaginação, mas outras – e isso tem acontecido com mais frequência – são para negar alguma coisa que ele fez, dizendo que a culpa é do fantasma que mora conosco. Como eu posso fazer para que ele entenda as consequências quando ele não admitir que foi ele quem fez? Às vezes, eu simplesmente falo “Olha, o xampu esparramou todo no chão! Pegue esta toalha, eu pego esta outra, e vamos limpar.” Ele me ignora como um adolescente! Outras vezes, eu que ignoro a mentira que ele está contando e me baseio no que eu estou vendo: ele diz que guardou os livros, mas eles continuam espalhados, então eu digo que nós não vamos ao parque enquanto ele não arrumar. Eu não acho que passo a impressão que acredito nas suas mentiras. Eu só não quero ter que lidar com elas.
Leia mais

Festa de Criança??????

(Esse texto foi escrito pela Luiza São Thiago que participa do Grupo Conexão Pais e Filhos e tem um trabalho bacana com plantação de hortas orgânicas com crianças na KayPacha Horta Infantil. Pedi autorização da Luiza para publicar esse texto aqui pois ele descreve muito bem algumas das minhas angústias com relação à esse modelão de festa que tem dominado o universo infantil: comida nada saudável / música ruim e alta / “animadores” mal preparados e mal pagos.)

Festa de Criança????

(por Luiza São Thiago)

Comida tóxica (meu ponto de vista para salgadinhos fritos, refrigerante e doces), decoração sem amor, ninguém ouve ninguém, ninguém olha ninguém e o pior: os animadores. Leia mais

Apego seguro

Um Bom Choro Pode Promover o Apego Seguro

Este artigo é um ótimo resumo do primeiro livreto que estou traduzindo sobre Criação com Conexão. Se você quer ser avisada (o) sobre o lançamento dos livretos, clique AQUI e preencha seu email e seu nome (opcional)

O artigo original em inglês foi escrito pela Patty Wipfler e pode ser lido neste link. Ele fala sobre a importância do nosso papel de pais e mães em ajudar nossos filhos a extravasar emoções que estejam dificultando sua vida, e como podemos fazer isso. A tradução foi feita pela Aila Nunes e revisada por mim.

A Aila é psicóloga e psicoterapeuta Junguiana (fale com  a Aila através do Facebook dela) e quis colaborar comigo para trazermos o máximo de informações do Hand in Hand Parenting para a lingua portuguesa. Se você sabe traduzir do inglês para o português e quer participar dessa força tarefa, entre no site do Hand in Hand Parenting, escolha um artigo que te interessa, traduza e mande para eu revisar e publicar. Você estará ajudando milhares de mães, pais, avós, cuidadoras e educadores a terem acesso gratuito. Se você quiser, posso colocar o link da sua página no artigo que você traduziu.

Leia mais

Uma História de Conexão Verdadeira Com Minha Filha

Temos um casal de amigos com filhos da idade dos nossos, 5 e 3 anos. Hoje, domingo, eles nos convidaram para jantar fora, mas decidimos não ir junto:  eu estava cansado e minha esposa com uma espécie de virose. Minha filha disse que queria ir e esses amigos disseram que a levariam numa boa. Ela ficou super animada. Tomou banho, escolheu uma roupa especial para ocasião e quando eles buzinaram ela disparou para o portão. Saíram de casa por volta das 19:00 e voltaram as 22:30. Minha filha já conhecia o restaurante e, apesar de não gostar da comida, adora ir lá para brincar com as crianças, inclusive com a filha do dono. O restaurante é pequeno e não há espaço preparado para crianças. Mas as crianças adoram o lugar. Leia mais