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É Proibido Chorar!: Como A Sociedade Abafa Esse Processo de Cura Natural

(Esse texto, escrito pela Marta Taquá Estela, nos mostra sua presença firme e amorosa para apoiar sua filha de quase 4 anos a extravasar emoções estagnadas. Marta utiliza essa história para questionar porque o choro incomoda tanto e como a sociedade tenta abafá-lo. Para entrar em contato com a Marta, escreva para marta_estela@yahoo.com e conheça o trabalho dela de produção de wrap slings  (carregadores de bebês) na página do facebook chamada Amor de Pano.)

É Proibido Chorar!: como a sociedade abafa esse processo de cura natural

Quando comecei a ler sobre Criação com Conexão a seguinte prática fez bastante sentido para mim, na relação com minha filha: quando perceber que a criança dá sinais de desconexão, manter um limite e ajudar a criança a lidar com ele, extravasando suas emoções para criar a conexão novamente. Leia mais

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O Direito de Não Sorrir

(Esse texto foi escrito por Paula Kotaki. É um lindo exemplo de como podemos afirmar a singularidade de nossos filhos, frente a demandas de outros adultos que nos cercam. Paula é participante do Grupo Conexão Pais e Filhos. Esse grupo se encontra semanalmente por video-conferência para conversar sobre temas relacionados a Criação com Conexão e Educação pela Potência. O grupo é inclusivo: cada um entra e sai a hora que quiser e contribui com quanto puder/quiser, desde que o valor seja acima de zero.)

O Direito de Não Sorrir

Hoje um episódio me fez pensar em como é realmente importante estarmos conectados com nossos filhos, sem nos importarmos tanto com o mundo a nosso volta e principalmente com o que as pessoas vão pensar. O fato se deu ao levar minha filha de 3 anos e meio pra tirar foto 3×4… Leia mais

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O Prato Azul: ou a escuta do choro como prática de transformação

Cada vez entendo mais que os princípios, práticas e ferramentas que aprendo na Criação com Conexão ou em qualquer outra metodologia não devem servir para substituir antigos hábitos. Trocar um hábito por outro é tentar melhorar o que está ruim. O que quero é ser o criador da minha vida, da minha jornada. Então uso as práticas como pontes de passagem que ajudam a transformar minhas emoções e me possibilitar criar respostas inéditas a cada momento. Nesse texto, compartilho um exemplo de como estou fazendo isso. E te convido a criar seus próprios processos criativos para uma vida mais potente. Se quiser trocar ideias sobre isso e apoiar meu processo de desenvolvimento, experimente o Grupo Conexão Pais e Filhos.

O Prato Azul: ou a escuta do choro como prática de transformação

Hora do almoço em casa. Eu, minha esposa, dois filhos (uma menina de 5 e um menino de 3 anos) e um amigo nosso. Coloco os pratos na mesa e chamo as crianças para comer. Minha filha chega por último. Olha um prato com borda azul no lugar que estava sobrando, olha pra mim e diz em tom de reclamação: “Eu não quero esse prato!”. Eu escuto aquilo. Não sinto raiva nem fico chateado. Antigamente eu ficaria, pois teria certeza de que ela estava me desafiando. Sinto vontade de me aproximar dela e escutar com mais atenção para saber o que está por trás daquela fala, principalmente do tom que ela usou. Olho pra ela e digo calmamente: “Hoje vai ser esse prato”. Leia mais

Limite na Hora de Trocar a Roupa

(Esse texto foi escrito pela Juliana Tonsmann e mostra na prática a importância de percebermos quando nossos filhos estão pedindo ajuda para extravasar emoções estagnadas e voltar a fluírem bem, experimentando o mundo e as relações da melhor maneira possível. Juliana teve a presença para escutar o filho e colocar o limite com carinho, sem querer ensina-lo ou educa-lo.) Leia mais

Apego seguro

Um Bom Choro Pode Promover o Apego Seguro

Este artigo é um ótimo resumo do primeiro livreto que estou traduzindo sobre Criação com Conexão. Se você quer ser avisada (o) sobre o lançamento dos livretos, clique AQUI e preencha seu email e seu nome (opcional)

O artigo original em inglês foi escrito pela Patty Wipfler e pode ser lido neste link. Ele fala sobre a importância do nosso papel de pais e mães em ajudar nossos filhos a extravasar emoções que estejam dificultando sua vida, e como podemos fazer isso. A tradução foi feita pela Aila Nunes e revisada por mim.

A Aila é psicóloga e psicoterapeuta Junguiana (fale com  a Aila através do Facebook dela) e quis colaborar comigo para trazermos o máximo de informações do Hand in Hand Parenting para a lingua portuguesa. Se você sabe traduzir do inglês para o português e quer participar dessa força tarefa, entre no site do Hand in Hand Parenting, escolha um artigo que te interessa, traduza e mande para eu revisar e publicar. Você estará ajudando milhares de mães, pais, avós, cuidadoras e educadores a terem acesso gratuito. Se você quiser, posso colocar o link da sua página no artigo que você traduziu.

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Uma História de Conexão Verdadeira Com Minha Filha

Temos um casal de amigos com filhos da idade dos nossos, 5 e 3 anos. Hoje, domingo, eles nos convidaram para jantar fora, mas decidimos não ir junto:  eu estava cansado e minha esposa com uma espécie de virose. Minha filha disse que queria ir e esses amigos disseram que a levariam numa boa. Ela ficou super animada. Tomou banho, escolheu uma roupa especial para ocasião e quando eles buzinaram ela disparou para o portão. Saíram de casa por volta das 19:00 e voltaram as 22:30. Minha filha já conhecia o restaurante e, apesar de não gostar da comida, adora ir lá para brincar com as crianças, inclusive com a filha do dono. O restaurante é pequeno e não há espaço preparado para crianças. Mas as crianças adoram o lugar. Leia mais

Você Não é Uma Mãe Ruim, Quando Tem Sentimentos Ruins

(O texto original escrito pela Patty Wipfler, fundadora do Hand in Hand Parenting pode ser encontrado clicando AQUI. Gosto desse texto especialmente pela coragem que ela teve em expressar sentimentos difíceis que temos ao longo do nosso trabalho de criação dos nossos filhos e por apontar o que podemos fazer para notar e extravasar esses sentimentos.)

Eu me lembro claramente do dia em que, por um segundo, não empurrei meu filho de dois anos contra a parede. Ele tinha acabado de machucar seu irmão que ainda era um bebê, e não tinha sido a primeira vez. Eu estava furiosa, quase fora de controle. Mas depois que eu me dei conta, fiquei com medo. Muito medo.

Não sei se diria que naquele dia eu estava brava ou chateada.

O sentimento que se apossou de mim quando vi meu filho machucando o bebê apareceu com uma rapidez incrível. Eu não tinha nem ideia do que estava me tomando.

Eu estava feliz por ser mãe. Mais feliz ainda por ter dois filhos lindos. Feliz por cuidar deles. Era o que eu queria, o que eu tinha planejado. Mas haviam esses momentos problemáticos, quando eu me transformava em outra coisa. Eu estava pronta para machucar alguém que ameaçasse meu bebê,  até mesmo meu próprio filho.

Mesmo depois de ter passado por esse dia horroroso, eu não sabia que tinha outros sentimentos com relação a maternidade que não, alegria, felicidade. Então, um dia em que eu estava mais sensível, uma mulher que tinha acabado de conhecer me perguntou: “Como é ser mãe?” Ela ainda não era mãe e queria saber um pouco mais sobre essa experiência. Eu comecei a chorar imediatamente. Chorar mesmo! Ela era gentil e sua inocente questão  abriu uma rachadura na minha represa emocional.

Despejei um monte de sofrimento. Disse a ela que estava assustada com meu próprio comportamento. Eu estava com medo da violência que eu percebi saindo de mim. Comecei a me lembrar dos piores momentos que passei com meu pai, quando ele cuidava de mim. Eu estava repetindo padrões que eu jurei que nunca ia repetir. E agora, eu estava chorando e soluçando nos braços de uma estranha. Foi aí que percebi que tinha muitos sentimentos relacionados à maternidade, que não amor. Até aquele momento não notava o que estava por debaixo da roupa de “Eu sou uma boa mãe e eu amo a maternidade” que eu vestia. Roupa esta que eu realmente gostaria que me servisse, mas que ficava mal ajustada quando meu estresse estava muito alto.

Na verdade, eu era um mãe bem boa e, ao mesmo tempo, eu não amava a maternidade sempre. Havia momentos difíceis, solitários, confusos, frustrantes, isolados, enlouquecedores. Eu não me permitia notar esses sentimentos, pois acreditava que meu trabalho era amar ser mãe, e eu não podia falhar. Mas, sempre que alguém me perguntava de coração e, com a abertura necessária para escutar, “Como eu estava”, esses sentimentos vinham à tona. Meus sentimentos. Escapando de forma selvagem e sem que eu conseguisse nomeá-los, desesperados.

Quando tive a chance de experimentar trocar momentos de escuta com outros pais, entendi: óbvio, eu tenho sentimentos! Todos tem! Quando há alguém para escutar, podemos finalmente notar esses sentimentos. Todos os dias, meus sentimentos vão de alegres e tranquilos a apaixonados e elétricos, e tudo o que está entre um pólo e outro. Meus filhos tinham essas enormes variações, e é claro, eu também!

Devagar, em parceria com alguém que saiba escutar, nós pais podemos começar a entender de onde vem esses sentimentos. Descobri que, muitas vezes, nossos sentimentos mais fortes vem da nossa infância, dos momentos em que nossos próprios pais estavam bloqueados por conflitos e estresse e nós, crianças pequenas que éramos, não sabíamos o que fazer. Esses sentimentos antigos e bem protegidos finalmente são liberados quando você tem alguém que te escute. Chorar, gargalhar e estravasá-los nos dá a chance de ter mais controle sobre como criamos nossos filhos e quão bem demonstramos nosso amor.

Não somos nossos sentimentos. Nossos sentimentos são uma gravação histórica do que nos aconteceu, de feridas que ainda esperam ser curadas. Eles são como anéis de uma árvore -mostram o que aconteceu conosco. Porém, a nossa parte viva, criativa e amorosa está em outro lugar. Nossos sentimentos vem de como nós e as outras crianças da nossa idade e nas mesmas circunstâncias foram tratadas. Nossos sentimentos querem sair. O que quer que sejam -preocupações, dureza, egoísmo, dor, impotência, ressentimento, raiva- nós não somos nossos sentimentos e eles querem sair de dentro de nós. Tentamos deixa-los aprisionados, mas quando perdemos a paciência eles vão com tudo pra cima dos nossos filhos e de outras pessoas que amamos. Quando temos um adulto pronto para nos escutar e nos oferecer afeto, nossos sentimentos encontram uma forma mais adequada de serem extravasados. Com alguém que nos escuta podemos notar nossos sentimento, podemos mostrá-los, podemos extravasa-los. Podemos atravessar a barreira que eles criam em torno do nosso amor.

Somos mães e pais bons. Mas não precisamos amar sermos pais e mães o tempo inteiro. Podemos sentir o que quer que apareça no nosso corpo e utilizar um bom “escutador” para ajudar a extravasar esses sentimentos. Então, podemos ser mais nós mesmos: afetivos, calorosos, confiantes e brincalhões. Nada melhor para a maternidade e paternidade.