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Mentira

O Que Fazer Quando uma Criança Mente

(Essa é a tradução de um texto da Patty Wipfler, fundadora do Hand in Hand Parenting. Você pode ler o original clicando AQUI. Ele foi traduzido pela Luciana Paquet, que além de leitora do blog é tradutora profissional. Para conhecer o trabalho da Luciana, é só clicar no site dela: lucianapaquet.com . Boa leitura! Aguardo seus comentários ao final do texto. Você já teve experiência com crianças que mentem? O que fez? O que faria diferente depois de ler o texto?)

Pergunta: O que eu devo fazer quando meu filho de 5 anos mente? Ele é um menino brilhante. Atualmente, algumas das mentiras que ele tem contado são frutos da sua imaginação, mas outras – e isso tem acontecido com mais frequência – são para negar alguma coisa que ele fez, dizendo que a culpa é do fantasma que mora conosco. Como eu posso fazer para que ele entenda as consequências quando ele não admitir que foi ele quem fez? Às vezes, eu simplesmente falo “Olha, o xampu esparramou todo no chão! Pegue esta toalha, eu pego esta outra, e vamos limpar.” Ele me ignora como um adolescente! Outras vezes, eu que ignoro a mentira que ele está contando e me baseio no que eu estou vendo: ele diz que guardou os livros, mas eles continuam espalhados, então eu digo que nós não vamos ao parque enquanto ele não arrumar. Eu não acho que passo a impressão que acredito nas suas mentiras. Eu só não quero ter que lidar com elas.
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Você Não é Uma Mãe Ruim, Quando Tem Sentimentos Ruins

(O texto original escrito pela Patty Wipfler, fundadora do Hand in Hand Parenting pode ser encontrado clicando AQUI. Gosto desse texto especialmente pela coragem que ela teve em expressar sentimentos difíceis que temos ao longo do nosso trabalho de criação dos nossos filhos e por apontar o que podemos fazer para notar e extravasar esses sentimentos.)

Eu me lembro claramente do dia em que, por um segundo, não empurrei meu filho de dois anos contra a parede. Ele tinha acabado de machucar seu irmão que ainda era um bebê, e não tinha sido a primeira vez. Eu estava furiosa, quase fora de controle. Mas depois que eu me dei conta, fiquei com medo. Muito medo.

Não sei se diria que naquele dia eu estava brava ou chateada.

O sentimento que se apossou de mim quando vi meu filho machucando o bebê apareceu com uma rapidez incrível. Eu não tinha nem ideia do que estava me tomando.

Eu estava feliz por ser mãe. Mais feliz ainda por ter dois filhos lindos. Feliz por cuidar deles. Era o que eu queria, o que eu tinha planejado. Mas haviam esses momentos problemáticos, quando eu me transformava em outra coisa. Eu estava pronta para machucar alguém que ameaçasse meu bebê,  até mesmo meu próprio filho.

Mesmo depois de ter passado por esse dia horroroso, eu não sabia que tinha outros sentimentos com relação a maternidade que não, alegria, felicidade. Então, um dia em que eu estava mais sensível, uma mulher que tinha acabado de conhecer me perguntou: “Como é ser mãe?” Ela ainda não era mãe e queria saber um pouco mais sobre essa experiência. Eu comecei a chorar imediatamente. Chorar mesmo! Ela era gentil e sua inocente questão  abriu uma rachadura na minha represa emocional.

Despejei um monte de sofrimento. Disse a ela que estava assustada com meu próprio comportamento. Eu estava com medo da violência que eu percebi saindo de mim. Comecei a me lembrar dos piores momentos que passei com meu pai, quando ele cuidava de mim. Eu estava repetindo padrões que eu jurei que nunca ia repetir. E agora, eu estava chorando e soluçando nos braços de uma estranha. Foi aí que percebi que tinha muitos sentimentos relacionados à maternidade, que não amor. Até aquele momento não notava o que estava por debaixo da roupa de “Eu sou uma boa mãe e eu amo a maternidade” que eu vestia. Roupa esta que eu realmente gostaria que me servisse, mas que ficava mal ajustada quando meu estresse estava muito alto.

Na verdade, eu era um mãe bem boa e, ao mesmo tempo, eu não amava a maternidade sempre. Havia momentos difíceis, solitários, confusos, frustrantes, isolados, enlouquecedores. Eu não me permitia notar esses sentimentos, pois acreditava que meu trabalho era amar ser mãe, e eu não podia falhar. Mas, sempre que alguém me perguntava de coração e, com a abertura necessária para escutar, “Como eu estava”, esses sentimentos vinham à tona. Meus sentimentos. Escapando de forma selvagem e sem que eu conseguisse nomeá-los, desesperados.

Quando tive a chance de experimentar trocar momentos de escuta com outros pais, entendi: óbvio, eu tenho sentimentos! Todos tem! Quando há alguém para escutar, podemos finalmente notar esses sentimentos. Todos os dias, meus sentimentos vão de alegres e tranquilos a apaixonados e elétricos, e tudo o que está entre um pólo e outro. Meus filhos tinham essas enormes variações, e é claro, eu também!

Devagar, em parceria com alguém que saiba escutar, nós pais podemos começar a entender de onde vem esses sentimentos. Descobri que, muitas vezes, nossos sentimentos mais fortes vem da nossa infância, dos momentos em que nossos próprios pais estavam bloqueados por conflitos e estresse e nós, crianças pequenas que éramos, não sabíamos o que fazer. Esses sentimentos antigos e bem protegidos finalmente são liberados quando você tem alguém que te escute. Chorar, gargalhar e estravasá-los nos dá a chance de ter mais controle sobre como criamos nossos filhos e quão bem demonstramos nosso amor.

Não somos nossos sentimentos. Nossos sentimentos são uma gravação histórica do que nos aconteceu, de feridas que ainda esperam ser curadas. Eles são como anéis de uma árvore -mostram o que aconteceu conosco. Porém, a nossa parte viva, criativa e amorosa está em outro lugar. Nossos sentimentos vem de como nós e as outras crianças da nossa idade e nas mesmas circunstâncias foram tratadas. Nossos sentimentos querem sair. O que quer que sejam -preocupações, dureza, egoísmo, dor, impotência, ressentimento, raiva- nós não somos nossos sentimentos e eles querem sair de dentro de nós. Tentamos deixa-los aprisionados, mas quando perdemos a paciência eles vão com tudo pra cima dos nossos filhos e de outras pessoas que amamos. Quando temos um adulto pronto para nos escutar e nos oferecer afeto, nossos sentimentos encontram uma forma mais adequada de serem extravasados. Com alguém que nos escuta podemos notar nossos sentimento, podemos mostrá-los, podemos extravasa-los. Podemos atravessar a barreira que eles criam em torno do nosso amor.

Somos mães e pais bons. Mas não precisamos amar sermos pais e mães o tempo inteiro. Podemos sentir o que quer que apareça no nosso corpo e utilizar um bom “escutador” para ajudar a extravasar esses sentimentos. Então, podemos ser mais nós mesmos: afetivos, calorosos, confiantes e brincalhões. Nada melhor para a maternidade e paternidade.

Uma Prática Para Melhorar a Conexão Com Seus Filhos

Uma das práticas que eu aprendi com a Paty Wipfler, fundadora do Hand in Hand Parenting, chama-se “Momento Especial”.  É um tempo, 5, 10, 15, 30 minutos, no qual você se dedica exclusivamente a estar com seu filho. No começo, eu achava que isso era uma técnica baseada naquele velho chavão de que “qualidade é mais importante do que quantidade” e que servia para acalmar os pais que passam a maior parte do dia longe das crianças. Mas ao longo de meses de prática, percebi que é algo muito mais profundo e transformador do que isso. Leia mais

Não Basta Ser Pai, Temos que nos Conectar!

(Esse texto foi escrito por Patty Wipfler, fundadora do Hand in Hand Parenting. Você pode ler o texto original clicando aqui. Sei que atualmente as mulheres trabalham tanto quanto os homens, suportando uma enorme pressão, e é claro que tudo o que está escrito nesse texto vale para elas, minhas principais leitoras. Ainda assim, volta e meia recebo emails e comentários de homens que, tal como eu, buscam uma conexão maior com os seus filhos e querem ter um papel ativo na sua educação. É maravilhoso tê-los aqui neste espaço! Há muito o que dialogar. Sinto que os homens acreditam ter como função principal zelar pela segurança financeira da família, mesmo quando isso não se traduz na realidade, pois cada vez mais mulheres tem essa responsabilidade. Mas, de qualquer forma, essa crença pode gerar um afastamento dos filhos. Portanto, ofereço esse texto como uma ponte para que mais homens entrem nessa conversa e se transformem, transformando assim a relação com os seus filhos.) Leia mais

cabra cabres

Momento Especial e o Medo do Cabra Cabrês

(Para ler esse texto em inglês  acesse os textos do Filhas e Filhos no site do Hand in Hand Parenting)

Acabei de usar uma técnica do Hand in Hand Parenting, chamada Momento Especial (Special Time). A ideia é dar total atenção a uma criança e permitir que ela escolha o que quiser fazer dentro de um limite de tempo estabelecido por um adulto. Eu estabeleci o tempo de 15 minutos e disse para a Luna: “O papai vai correr agora e quando eu voltar vou tomar banho e comer meu café da manhã. Depois disso eu terei 15 minutos para fazer um Momento Especial com você. Você pode escolher o que quiser fazer aqui em casa e eu farei só com você.” Na hora do momento especial pedi para a Regiane ficar com o Leo, pois cada um deve ter seu momento especial sozinho, sem que o adulto divida a atenção com outra criança, com outro adulto ou com celular, computador, telefone. Leo chorou e disse que queria brincar também. Eu disse que faria um Momento Especial com ele depois que acabar o tempo da Luna. Leia mais

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Choro na Hora do Chá: Ajudando uma Criança a Extravasar suas Emoções

Mais uma vez entendi que a melhor forma de ajudar nossos filhos é através de uma conexão que permita com que eles extravasem suas emoções, seja através do riso ou do choro. Chorar não é ruim. Quando uma criança chora, precisamos mostrar para ela que estamos juntos nessa e que ela vai atravessar pela dor, tristeza, raiva e sair do outro lado sentindo-se melhor. Mostramos isso com nosso olhar, nossa presença e com poucas palavras, sem tentar conforta-la ou fazê-la parar de chorar. Leia mais

Chorar, Brincar e Dar Muita Risada

(Esse é um texto duplo. Apresentou duas situações que ocorreram essa semana e mostro como está sendo importante entender melhor o significado do que muita gente chama de “birra” e eu chamo de “extravasar as emoções”. A primeira parte deve durar 2 a 3 minutos e a segunda entre 4 e 6 minutos) Leia mais